Cientista da UFRN denuncia professor espanhol por plágio do ‘Método Taylor Swift de Botânica’

Por Conversa Bem Viver10/07/2026 às 14:510 visualizações
clipe
clipe
Foto: | / Brasil de Fato

A doutoranda Glaucia da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), criadora do “método Taylor Swift para ensino de botânica”, foi vítima de plágio por parte do professor espanhol Joaquin Moreno Compañ, do Departamento de Biologia Aplicada da Universidad Miguel Hernández de Elche (UMH).

Em entrevista ao Conversa Bem Viver, a professora explica como surgiu a ideia de transformar a produção da artista de quem é fã em método de ensino. Tudo aconteceu na época da pandemia, quando Taylor Swift lançou o álbum “Folklore”. Uma das faixas, “Cardigan”, tinha um videoclipe em que a artista aparecia tocando piano em uma floresta bem densa. Da cauda do piano, saía uma cachoeira e, do corpo do instrumento, muitos musgos e outras plantas.

Segundo Silva, a cena a emocionou e ela teve uma ideia. “E se um dia eu usar isso para introduzir uma aula de musgos? Essa ideia ficou guardada. E aí, quando eu comecei o estágio supervisionado na UFRN, a gente tem que dar aula para o ensino médio, faz parte do currículo. Peguei uma turma que era um segundo ano de ensino médio”, relata.

Ela conta que, para muita gente, o estudo da botânica pode parecer desinteressante. “Tem esse desgosto, essa rejeição que as pessoas têm com as plantas; tem um conceito que se chama impercepção botânica. É a incapacidade do ser humano de perceber as plantas no ambiente, reconhecer os aspectos específicos das plantas, reconhecer a sua importância para a vida na Terra e, muitas vezes, vão dizer que os bichos, os animais são superiores e melhores do que as plantas. Só que, sem as plantas, a gente não tem a vida na Terra”, continua.

A partir daí, Glaucia da Silva passou a pesquisar outras produções da Taylor Swift que poderiam servir como material de apoio para suas aulas e, segundo ela, encontrou um vasto material em videoclipes como “Blank Space”, “Out of the woods” e “Willow”. A pesquisadora desenvolveu o “Método Taylor Swift”, chegando a apresentá-lo em um simpósio em Madri. Joaquin Moreno Compãn estava na plateia.

A pesquisadora e professora brasileira Glaucia da Silva apresenta seu método inovador batizado de ‘Método Taylor Swift’ em simpósio de botânica realizado em Madri, em 2024 |
A pesquisadora e professora brasileira Glaucia da Silva apresenta seu método inovador batizado de ‘Método Taylor Swift’ em simpósio de botânica realizado em Madri, em 2024 | — Arquivo pessoal
A pesquisadora e professora brasileira Glaucia da Silva apresenta seu método inovador batizado de ‘Método Taylor Swift’ em simpósio de botânica realizado em Madri, em 2024 | Crédito: Arquivo pessoal

Em agosto de 2025, Silva publica o desenvolvimento do método completo em um periódico científico prestigiado da área e, em dezembro, Compãn escreve “Aprendiendo botánica con Taylor Swift: evaluación del uso de vídeos musicales como activadores de conocimiento”, capítulo de um livro dele, sem mencionar Glaucia da Silva, e toma para si a criação do método.

A doutoranda detalha os pontos que evidenciam que o espanhol roubou sua ideia, não atribuiu a autoria à pesquisadora, configurando um evidente caso de plágio: “Ele cita o resumo do meu congresso, o de 2024, e diz assim: ‘Segundo Silva, que usou vídeos musicais na botânica’, e continua falando. Em nenhum momento ele diz ‘vídeos de Taylor Swift’. Se eu só falo de vídeo musical, pode ser de Shakira, pode ser de Alejandro Sanz, pode ser de Aviões do Forró, não importa. Ele generaliza. As boas práticas científicas vão dizer que toda citação precisa ser completa, direta e explícita. Se há algo que é crucial, você tem que falar”, ressalta.

De acordo com Glaucia da Silva, Compãn sabia que ela usava especificamente vídeos da Taylor Swift e suprimiu a informação propositalmente. Na sequência, ela conta que leu a expressão, na introdução do livro dele, que tratava do uso de videoclipes da cantora Taylor Swift para ativar conhecimentos botânicos como “uma nova metodologia”. “E não tem citação nesse parágrafo. Inovação é algo que nunca foi criado antes; é o próprio dicionário que vai dizer isso. Ele não pode dizer que criou algo novo. O método já existia e já havia sido publicado numa revista de alto impacto revisada por pares. Já foi apresentado em congresso internacional”, explica. “Então, ele traz a inovação e reivindica para ele mesmo”, resume.

A professora então procurou a universidade de Compãn, que, em um primeiro momento, minimizou o fato. Depois, a instituição foi procurada pelo site UniversidadeNews, um dos primeiros a detalhar o caso, mas não houve retorno.

De acordo com o mesmo portal, a Reitoria da UFRN informou que acompanha o caso e enviou uma carta oficial à editora Octaedro, ao reitor da UMH e a Joaquín Moreno. O envio incluiu 16 documentos avaliados e aprovados pelos setores jurídico e administrativo da universidade.

Por fim, Silva contou que recebeu feedback de membros da equipe de Taylor Swift sobre o seu método e foram bastante positivos. Ela também informa que buscará os direitos na Justiça. “Eu estou com uma equipe de advogados e, nos próximos dias, esse processo será protocolado”, afirma. E faz um último apelo: “O povo brasileiro é muito importante nesse momento para que isso não caia no esquecimento. Porque o que está acontecendo comigo acontece com diversos cientistas brasileiros. Acho que a principal coisa que o povo está me ajudando muito é mantendo a chama acesa e não deixando isso cair no esquecimento, porque é isso que eles querem.”

O Brasil de Fato tentou contato com a UMH, mas, até o momento, não obteve retorno.

Imagem do artigo

A sintonia da Rádio Brasil de Fato é 98,9 FM na Grande São Paulo.

Assim como os demais programas da Rádio Brasil de Fato, você pode ter acesso a esse conteúdo com antecedência para reproduzir gratuitamente na sua rádio. Acesse este formulário e faça sua inscrição.

São dezenas de rádios que fazem parte desta corrente!

Fonte
Brasil de Fato
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.