China cobra fim imediato do bloqueio dos EUA a Cuba após votação na Assembleia Geral da ONU

Por Mauro Ramos10/07/2026 às 14:400 visualizações
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, durante coletiva de imprensa. 10 de julho de 2026
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, durante coletiva de imprensa. 10 de julho de 2026
Brasil de Fato

A China cobrou, na quinta-feira (9), que os Estados Unidos cessem “imediatamente o bloqueio e as sanções contra Cuba, bem como qualquer forma de coerção, pressão e ameaças militares”. A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, em coletiva de imprensa em Pequim, dois dias depois de a Assembleia Geral da ONU decidir, por ampla maioria, continuar o debate sobre o fim do embargo estadunidense à ilha.

Mao Ning denunciou que os EUA impõem bloqueios e sanções a Cuba há mais de 60 anos e intensificaram as medidas recentemente, “criando uma crise energética” no país. Para a porta-voz, a política estadunidense “viola gravemente os propósitos e princípios da Carta da ONU”, “infringe severamente o direito de Cuba à sobrevivência e ao desenvolvimento” e “causou profundo sofrimento ao povo cubano”.

Na terça-feira (7), a Assembleia Geral decidiu, com 136 votos a favor, 30 abstenções e nove contrários, entre eles o dos próprios EUA, seguir debatendo “a necessidade de pôr fim ao embargo econômico, comercial e financeiro” imposto por Washington contra Cuba.

Para Mao Ning, a decisão “esmagadora” demonstra “mais uma vez o apoio da comunidade internacional ao povo cubano na defesa de sua soberania nacional” e mostra que “a busca pelo unilateralismo e pela intimidação é injusta, isolada e impopular”. A porta-voz afirmou que a China está disposta a trabalhar em conjunto com outros países para “apoiar firmemente Cuba na salvaguarda de sua soberania e dignidade nacionais e opor-se à interferência estrangeira”.

Debate na Assembleia Geral

Durante a sessão, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que o bloqueio energético estadunidense “constitui um ato de guerra”. Segundo o ministro, os EUA cortaram o acesso da ilha ao fornecimento de combustível, tanto comercial quanto humanitário, “recorrendo a ameaças diretas, ações coercitivas unilaterais e até ao assédio e à intimidação de navios-tanque por meios militares”.

Rodríguez disse que a guerra “multidimensional e não convencional” contra Cuba dura quase sete décadas e “se tornou ainda mais brutal nos últimos sete meses”. Os danos acumulados pelo bloqueio desde sua imposição chegam a US$ 178,7 bilhões (mais R$ 900 bilhões) a preços atuais, de acordo com o chanceler cubano.

A sessão foi aberta sob objeção dos EUA: o representante estadunidense Jeffrey Bartos classificou o debate como “desperdício” de recursos da ONU e pediu votação nominal para decidir se o tema voltaria à pauta, vencida pelos 136 países. Organizações como o Grupo dos 77, o Movimento dos Não Alinhados e a União Africana discursaram pedindo o fim do embargo.

Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na mesma terça que a organização trabalha para viabilizar o envio de combustível a Cuba para uso humanitário. “Continuamos muito preocupados com a situação no terreno e com o impacto da escassez de energia sobre a saúde, a educação e os serviços básicos”, afirmou.

Fonte
Brasil de Fato
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.