Ex-esposa de Bolsonaro não justifica gasto de R$ 134 mil em campanha e tem contas bloqueadas pelo TRE-DF

Por Redação10/07/2026 às 17:130 visualizações
Ana Cristina Valle
Ana Cristina Valle
Brasil de Fato

A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil em contas bancárias de Ana Cristina Valle, ex-esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após ela não devolver recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, cuja restituição foi determinada por irregularidades na prestação de contas da campanha de 2022. Caso não sejam encontrados valores suficientes, a cobrança poderá atingir veículos e imóveis registrados em nome dela.

Ana Cristina disputou uma vaga de deputada distrital pelo Progressistas no Distrito Federal em 2022, recebeu 1.485 votos e não foi eleita. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), a campanha teve despesas de R$ 303.488,96 e não houve comprovação da aplicação de R$ 134,4 mil, o equivalente a 44,31% dos gastos.

O Brasil de Fato tenta contato com Ana Cristina para comentar o assunto, e o texto será atualizado caso haja resposta.

O tribunal apontou ausência de notas fiscais, contratos e comprovantes de prestação de serviços referentes a despesas custeadas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Também foram identificadas falhas na comprovação de gastos com militância, alimentação, combustível, locação de bens, criação de páginas na internet, impulsionamento de conteúdo e contratação de terceiros.

Entre as inconsistências, a Justiça Eleitoral identificou um pagamento de R$ 35.150 para atividades de militância sem documentação que comprovasse a prestação dos serviços. Também foram apontados R$ 3 mil em despesas com combustível sem comprovação da relação dos abastecimentos e um gasto com aluguel de imóvel referente ao período posterior ao encerramento das eleições.

As contas da campanha foram rejeitadas por unanimidade pelo TRE do Distrito Federal em 2025, conforme parecer do Ministério Público Eleitoral. O relator do processo, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, afirmou que as falhas “permeiam praticamente toda a gama de gastos de campanha”.

Durante a tramitação do processo, Ana Cristina foi intimada em duas oportunidades para apresentar esclarecimentos e documentos complementares, mas não respondeu. A prestação de contas também foi entregue fora do prazo. “A ausência de cooperação da candidata com a Justiça Eleitoral demonstra um descaso com o dever de transparência e com a correta aplicação do dinheiro público”, declarou.

Após a condenação, Ana Cristina não quitou o débito. A decisão judicial também autorizou o bloqueio de valores depositados em conta salário ao considerar que a dívida supera o limite de 50 salários mínimos previsto como exceção no Código de Processo Civil.

Se não forem localizados recursos suficientes nas contas bancárias, a Justiça determinou pesquisas para identificar veículos registrados em nome de Ana Cristina. Caso também não sejam encontrados bens móveis, deverão ser consultadas as declarações de Imposto de Renda dos últimos três anos e as Declarações sobre Operações Imobiliárias para verificar a existência de imóveis.

Ana Cristina é advogada e mãe do vereador Jair Renan Bolsonaro, do PL de Santa Catarina.

Fonte
Brasil de Fato
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