O governo de Donald Trump partiu ao ataque contra a liberdade de imprensa nos Estados Unidos. O Departamento de Justiça emitiu intimações para que vários repórteres do jornal The New York Times testemunhem perante um júri federal em Manhattan. A medida, que incluiu agentes federais entregando as notificações diretamente nas residências dos profissionais, foi tomada para forçar a revelação de fontes sob a ameaça de penalidades legais.
A ofensiva da Casa Branca ocorre após o periódico publicar reportagens revelando brechas de segurança no novo Air Force One, o avião presidencial estadunidense. As matérias apontam que a nova aeronave, um Boeing 747 de luxo doado como presente pelo governo do Catar em 2025, não possui capacidades antimísseis nem os recursos de proteção presentes nos modelos mais antigos da frota.
A intimação de jornalistas pelo governo Trump não é um caso isolado e soma-se a episódios recentes de perseguição à mídia, como as tentativas de criminalizar profissionais dos canais Wall Street Journal e Washington Post, além do indiciamento de jornalistas que cobriram protestos populares contra Donald Trump.
As revelações sobre a vulnerabilidade do novo avião presidencial ganharam contornos críticos durante o retorno de Trump da cúpula da Otan, na Turquia. O presidente utilizou o modelo doado pelos cataris na viagem de ida, mas precisou fazer parte do trajeto de volta a bordo de um Air Force One antigo, a pedido do Serviço Secreto, que estava preocupado com a segurança do presidente estadunidense.
O recuo na segurança aconteceu justamente no momento em que ruiu o cessar-fogo com o Irã, país que faz fronteira com a Turquia e contra o qual os EUA e Israel estão em guerra desde o final de fevereiro.
Publicamente, Trump tentou minimizar o episódio em suas redes sociais e declarações a jornalistas. O presidente alegou que usou a aeronave antiga por “nostalgia” e negou qualquer ameaça vinda de Teerã, embora tenha ironizado: “tenho uma ameaça o tempo todo. Sou o número um na lista deles”.
A Casa Branca também saiu em defesa do avião de US$ 400 milhões, chamando-o de “de última geração” e justificando as rotas alternativas como “estratégias de distração e descaminho”.
O advogado do New York Times, David McCraw, afirmou que a presença de agentes federais na porta dos repórteres “deve chocar a consciência de qualquer americano que acredite na Constituição e na liberdade de imprensa.”
Em Washington, o National Press Club emitiu um comunicado exigindo que o Departamento de Justiça retire as intimações imediatamente. A organização alertou que a ação dos promotores federais ameaça o direito constitucional a uma imprensa independente e finalizou: “Uma imprensa livre serve ao povo, não ao governo.”
