Surto de cólera ameaça comunidades fragilizadas pela guerra no Sudão

10/07/2026 às 12:000 visualizações
Pessoas deslocadas pelo conflito buscam abrigo em uma estação de ônibus em Gedaref, Sudão.
Pessoas deslocadas pelo conflito buscam abrigo em uma estação de ônibus em Gedaref, Sudão.
Foto: © PNUD/Giles Clarke / ONU Noticias
Surto de cólera ameaça comunidades fragilizadas pela guerra no Sudão
10 Julho 2026 Saúde

Surto de cólera no Sudão já causou pelo menos 114 mortes; taxa de letalidade é “extremamente alta” e pode aumentar com aproximação da época das chuvas.

No Sudão, um novo surto mortal de cólera já deixou mais de 100 mortos, fragilizando as comunidades afetadas pelo conflito. Casos foram relatados na cidade de El-Obeid, onde os ataques diários com drones continuam a dificultar a entrada de ajuda humanitária. 

De acordo com o representante da Organização Mundial da Saúde, OMS, Shible Sahbani, o surto incide principalmente sobre as comunidades das províncias ocidentais de Darfur e Cordofão. 

Mais de mil casos confirmados

Em conferência de imprensa em Genebra, nesta sexta-feira, o especialista relatou mais de 1.330 casos confirmados e 114 mortes devido à infeção intestinal aguda causada pela bactéria Vibrio Cholerae.

Segundo a OMS, o número real de mortes é provavelmente muito mais elevado. 

Apesar da eficácia da prevenção e do tratamento desta doença, a infeção pode ser mortal caso não seja acompanhada por um tratamento rápido e adequado, sublinha Sahbani.

A taxa de letalidade da cólera no Sudão já é “extremamente elevada”, situando-se em 13,7%. O representante da OMS explicou que a situação pode se agravar com a chegada da estação das chuvas.

Para além da cólera, registam-se ainda surtos ativos de dengue, malária, meningite, hepatite E e sarampo.

© PNUD/Giles Clarke Pessoas deslocadas pelo conflito buscam abrigo em uma estação de ônibus em Gedaref, Sudão.
© PNUD/Giles Clarke Pessoas deslocadas pelo conflito buscam abrigo em uma estação de ônibus em Gedaref, Sudão.
© PNUD/Giles Clarke Pessoas deslocadas pelo conflito buscam abrigo em uma estação de ônibus em Gedaref, Sudão.

Propagação preocupa agências humanitárias

O Sudão enfrenta a maior crise humanitária do mundo, com mais de 33 milhões de pessoas a necessitar de ajuda. Entre estas, estima-se que 21 milhões necessitem de serviços de saúde. 

Desde o início da guerra, a 15 de abril de 2023, pelo menos 59 mil pessoas perderam a vida.

As agências humanitárias temem a propagação da doença entre as centenas de milhares de pessoas que fugiram de cidades e zonas rurais do Cordofão do Norte, o epicentro dos combates atuais entre as Forças Armadas Sudanesas, SAF, e as Forças de Apoio Rápido, RSF

Nessa região, Shible Sahbani destaca a situação particularmente precária em El-Obeid, onde as unidades de saúde estão sobrecarregadas e o acesso a cuidados por parte da população é extremamente limitado. 

Apelo à comunidade internacional

O representante da OMS reforçou os recentes apelos do alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, à comunidade internacional para prevenir novas atrocidades em El-Obeid e evitar novos massacres.

Shible Sahbani aproveitou ainda para apelar ao acesso e envio de suprimentos para a cidade sudanesa, com vista a colmatar os riscos associados aos surtos de doenças, à desnutrição e à violência, incluindo violência contra mulheres e crianças.

Fonte
ONU Noticias
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