Arqueólogos encontraram em Pskov, na Rússia, próximo à fronteira com a Estônia, um pingente em forma de crescente cuja função, na tradição antiga, ia além da estética: objetos desse tipo eram usados junto ao corpo como proteção contra doenças, infortúnios e forças invisíveis.
A peça foi descoberta no sítio arqueológico Olginsky‑10, ampliando o conjunto de lunitsas já identificadas na região.
O Centro Arqueológico local ainda não determinou o metal do artefato, que será analisado após a temporada de campo. Mesmo sem essa informação, seu formato o conecta a uma tradição milenar que atravessou continentes, religiões e estilos de joalheria, mantendo-se presente em adornos femininos por milhares de anos.
© Foto / Página do Centro Arqueológico da Região de Pskov nas redes sociaisNovo pingente lunitsa encontrado em Pskov confunde a linha divisória entre a Rússia pagã e a cristã

Novo pingente lunitsa encontrado em Pskov confunde a linha divisória entre a Rússia pagã e a cristã
© Foto / Página do Centro Arqueológico da Região de Pskov nas redes sociais
As lunitsas, pingentes em forma de lua crescente, surgiram já na Idade do Bronze e se espalharam pela Europa, Ásia e África. Podiam ser feitas de metais simples ou de prata trabalhada, usadas em colares, cocares ou brincos, sempre carregando simbolismos ligados ao tempo, à fertilidade, à proteção e ao mundo noturno.
A peça de Pskov tem argola de suspensão e corpo largo decorado com pequenas impressões circulares, sugerindo que era exibida à vista, não escondida sob as roupas. Para sua dona, podia funcionar como joia, amuleto ou ambos, uma combinação comum em sociedades antigas e medievais.
O crescente, porém, nunca teve significado fixo. Embora lunitsas tenham se tornado comuns entre eslavos entre os séculos X e XIII, seu uso não deriva de um culto pagão único, mas de influências bizantinas que introduziram novos estilos de joalheria na região.
No século X, lunitsas eram populares na antiga Rus, coexistindo com a cristianização. Em sepulturas e colares, aparecem ao lado de cruzes e ícones devocionais, mostrando que mulheres combinavam símbolos distintos sem conflito entre crença e tradição. O crescente podia ser reinterpretado, herdado ou simplesmente apreciado como proteção.
Com o tempo, esses pingentes se tornaram menos frequentes, mas o motivo lunar persistiu em joias russas até o século XIX e início do XX, mesmo quando seu significado original já havia se perdido.
Análises futuras poderão revelar sua origem e datação, mas o sentido exato que teve para quem o usou permanecerá desconhecido.


