‘Fica muito bem em uma mulher saber quem ela é’, diz Alcione na abertura da exposição com mais de 650 itens do seu acervo em SP — Insubornavel


‘Fica muito bem em uma mulher saber quem ela é’, diz Alcione na abertura da exposição com mais de 650 itens do seu acervo em SP

Por Redação13/07/2026 às 16:510 visualizações
Banner da exposição "Com amor, Alcione"
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Brasil de Fato

O Museu das Favelas, na região central de São Paulo, recebe até 6 de dezembro de 2026 a exposição Com Amor, Alcione, que reúne mais de 650 itens do acervo pessoal da cantora. A mostra foi idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) e chega à capital paulista após ser apresentada em São Luís, em sua primeira itinerância.

Fotografias, vídeos, figurinos, prêmios, documentos, discos, instrumentos musicais e objetos pessoais apresentam mais de cinco décadas da trajetória de Alcione. O percurso também aborda temas como família, fé, carnaval, migração e as identidades negra e nordestina, relacionando a história da artista com processos que marcaram a formação da cultura brasileira.

Um módulo criado para a temporada em São Paulo estabelece um paralelo entre a mudança de Alcione do Maranhão para o Rio de Janeiro, no fim da década de 1960, e os fluxos migratórios que transformaram a capital paulista. A mostra também presta homenagem às pessoas que deixaram suas cidades para construir novas trajetórias.

A exposição está organizada em 12 núcleos. O primeiro apresenta a formação musical da cantora, filha de um maestro de banda militar, que aprendeu música na infância e estudou clarinete e trompete, instrumento que integra o acervo exibido.

Outro espaço acompanha o início da carreira, com registros das primeiras viagens, da passagem por São Paulo, da mudança para o Rio de Janeiro, da assinatura do contrato com a gravadora RCA e das turnês internacionais.

Uma instalação reproduz o altar mantido pela artista em casa, reunindo santos católicos, entidades afro-brasileiras e objetos de diferentes tradições religiosas. Em outro núcleo, chamado “Rainha do Brilho”, figurinos usados em apresentações e desfiles mostram a estética que marcou sua imagem pública.

Entre as peças expostas estão fantasias utilizadas nos desfiles da Mangueira, escola da qual Alcione é integrante; a carteirinha de sócia número 002 da agremiação; revistas sobre o Carnaval; registros de sua participação em projetos ligados à escola de samba e um vestido usado em apresentação no Rock in Rio.

Em entrevista durante a abertura da exposição, Alcione lembrou o momento em que passou a impor seus limites. “Eu era uma lesada, gente. Se a pessoa dissesse para mim ‘sai daqui’, eu sairia. (…) Eu comecei a ter atitude quando eu descobri que, tendo atitude, as pessoas te respeitam.”

Ela também afirmou que aprendeu a reconhecer o próprio valor. “Fica muito bem em uma mulher saber quem ela é. Uma pessoa não vai chegar para mim e dizer qualquer coisa, eu aprendi a me respeitar. Para receber o respeito dos outros, precisamos primeiro reconhecer o nosso próprio valor”, disse.

Ao comentar a exposição, a cantora afirmou que a iniciativa “massageia seu espírito e sua alma”. “O que não caberia aqui no museu são os desaforos que eu já disse por causa da minha cor”, declarou.

Para Alcione, a chegada da mostra ao Museu das Favelas representa um reencontro com o público paulista. “É uma honra ter a minha vida e obra ocupando o Museu das Favelas. O nome, por si só, já revela a grandiosidade dessa instituição, que estou ansiosa para conhecer. Espero que o público goste e venha conhecer a história desta Marrom aqui, que tem uma gratidão imensa pelo povo de São Paulo. Nos vemos em breve”, afirmou.

A curadoria da exposição é de Deyla Rabelo, Gabriel Gutierrez e Luciana Gondim, com curadoria institucional de Jairo Malta. Entre os textos apresentados na mostra estão contribuições de Nei Lopes, Leonardo Bruno, Nilcemar Nogueira e Salgado Maranhão.

A visitação é gratuita e ocorre de terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h. Os ingressos podem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla ou na recepção do Museu das Favelas, conforme a disponibilidade.

Serviço

  • O quê: Exposição Com Amor, Alcione (mais de 650 itens do acervo pessoal da cantora).
  • Período da exposição: De julho até 6 de dezembro de 2026.
  • Horário de visitação: De terça-feira a domingo, das 10h às 17h (permanência no local permitida até as 18h).
  • Local: Museu das Favelas.
  • Endereço: Largo Páteo do Colégio, nº 148, no Centro Histórico de São Paulo.
  • Entrada: Gratuita (os ingressos devem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla ou diretamente na recepção do museu, sujeitos à disponibilidade).
Fonte
Brasil de Fato
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