O comando militar do Irã declarou nesta segunda-feira (13) que não vai permitir a interferência dos Estados Unidos na administração do Estreito de Ormuz, advertindo os países vizinhos de que qualquer cooperação com Washington na via marítima será tratada como ato de guerra.
“O Irã não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada”, diz o grupo. Em comunicado, o comando militar afirma: “Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã.”
A Guarda Revolucionária ressaltou sua “autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz” e atribuiu responsabilidades aos estadunidenses. “Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás”.
Em nota divulgada pela agência Tasnim, a Guarda Revolucionária disse que o Irã “forçará as potências estrangeiras e seus aliados a se curvarem à vontade do povo iraniano”. “Nós os levaremos a uma humilhação e a um desespero ainda maiores em seus novos atos de agressão”, acrescentou.
Mohammed Mokhber, assessor do aiatolá Mojtaba Khamenei, também se mobilizou. “Recuar desta questão vital não tem lugar na mente de nenhum amigo do Irã”, disse.
O Estreito de Ormuz está fechado desde o último sábado, depois que uma embarcação ignorou os avisos e desligou seus sistemas de identificação. Nesta segunda-feira (13), porém, em entrevista à rede Fox News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o seu país passaria a operar a administração da via naval.
Já nas redes sociais, Trump anunciou a retomada do bloqueio naval e disse que iria cobrar um pedágio equivalente a 20% sobre toda a carga transportada.
“Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como ‘o guardião do Estreito de Ormuz’, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”, declarou Trump.
Com o fim efetivo do memorando de entendimento firmado por EUA e Irã no mês passado, os últimos dias têm sido de escalada da tensão. Os Estados Unidos dizem ter atingido 140 alvos militares nas últimas 24 horas.
Após a ameaça de Trump, o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), coordenado pela Marinha estadunidense, disse que vai bloquear os portos na costa sul do Irã, incluindo portos e terminais de petróleo.
Quem também se pronunciou sobre o tema foi o presidente Luiz Inácio da Silva (PT), que, nesta segunda-feira (13), em evento em São Caetano do Sul (SP), comparou a decisão de Washington a um crime.
“Tem um tuíte dele [Donald Trump] dizendo que ele vai desobstruir o Estreito de Ormuz. O Estreito de Ormuz é aquele canal entre o Irã e o resto do mundo, que o Irã não deixa passar navio com petróleo. Ele fez um tuíte dizendo que vai desobstruir, que ele vai tirar do Estreito. O dono do petróleo tem que pagar 20% para ele. Isso, antigamente, se chamava pirataria”, afirmou Lula.
