Flávio cita interferência eleitoral e diz que Moraes quer deixar Bolsonaro 'incomunicável'

13/07/2026 às 23:120 visualizações
Sputnik Brasil
Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o parlamentar classificou a decisão como desproporcional e disse que o objetivo é deixar o pai "incomunicável" até depois do primeiro turno das eleições, previsto para o dia 4 de outubro.

"Eu fui surpreendido por essa decisão do ministro Alexandre de Moraes dizendo que um filho não pode visitar o próprio pai por 90 dias. É algo completamente desproporcional, desarrazoado e claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano", afirmou.

Segundo Flávio, o prazo definido pelo ministro teria motivação política. O senador ainda questionou o critério adotado por Moraes para estabelecer os 90 dias de restrição e afirmou que a medida impede qualquer contato com o pai até depois da votação.
O parlamentar também negou ter descumprido qualquer decisão judicial ao divulgar a carta escrita por Bolsonaro. Durante a live, lembrou que outros quatro textos do ex-presidente já haviam sido tornado públicos desde o início das restrições impostas pelo STF, inclusive por Michelle Bolsonaro, sem que houvesse questionamentos da Corte.
Porém, o senador não citou a decisão de Moraes que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro em agosto de 2025, quando o ex-presidente foi acusado de desrespeitar medidas cautelares depois de participar por videochamada de um ato político em São Paulo.
"Qual é a diferença de eu publicar na minha rede, de a Michelle publicar na dela, de publicar no YouTube ou de qualquer veículo de comunicação divulgar?", questionou.
Flávio afirmou ainda que recorrerá à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já que integra a defesa do ex-presidente e possui prerrogativas profissionais que foram desrespeitadas. Segundo ele, Moraes tenta encontrar "qualquer desculpa" para endurecer as restrições impostas a Bolsonaro e retirá-lo da prisão domiciliar.
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Carta de Bolsonaro declara Flávio como 'porta-voz' e pede união em meio à crise no PL

Propaganda eleitoral antecipada

A manifestação ocorreu horas após Moraes determinar a suspensão, por 90 dias, do direito de visita de Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na mesma decisão, o ministro concedeu prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente informe se ele tinha conhecimento de que uma carta escrita durante a prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais.
Moraes também determinou o envio do caso ao procurador-geral eleitoral para apurar eventual prática de propaganda eleitoral antecipada. A medida foi adotada após Flávio anunciar a leitura da carta e transmitir seu conteúdo na íntegra pelas redes sociais.
Na avaliação do ministro, a visita do senador teve como objetivo obter um documento destinado exclusivamente à divulgação em plataformas digitais, numa tentativa de contornar a proibição imposta a Jair Bolsonaro de usar redes sociais, direta ou indiretamente.
Na carta, o ex-presidente pede apoio para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, a quem define como seu "porta-voz" e como a melhor opção para comandar o país.
A manifestação ocorreu em meio à crise envolvendo integrantes da família Bolsonaro. Nas últimas semanas, Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocaram críticas públicas pelas redes sociais. Na ocasião, Michelle afirmou ter sido humilhada e maltratada pelo senador, enquanto ele pediu desculpas e disse que jamais teve a intenção de ofendê-la.
Sem citar diretamente os atritos, Bolsonaro defendeu na carta a unidade do grupo político liderado por ele. O ex-presidente também reafirmou a confiança no filho e afirmou acreditar que ele poderá "resgatar o Brasil" e conduzir o país "à paz e prosperidade".
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Nos EUA, Flávio Bolsonaro volta a pedir adiamento de tarifas

Flávio culpa Lula por possível tarifa dos EUA

Na transmissão, Flávio também comentou a possibilidade de os Estados Unidos voltarem a impor tarifas sobre produtos brasileiros, desta vez de 25%, e responsabilizou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo impasse.
Segundo o senador, o governo brasileiro deixou de negociar com Washington e colocou "a ideologia acima" dos interesses do país. Flávio afirmou também que esteve nos Estados Unidos para apresentar argumentos técnicos, o que contradiz a afirmação de presentes na audiência, e disse que uma eventual sobretaxa será consequência da postura adotada pelo Planalto.

"A tarifa vai chegar para o Brasil. Não é nenhuma informação privilegiada. O Lula não manda ninguém para negociar", afirmou.

Flávio também criticou o discurso do governo sobre soberania nacional e comparou as medidas norte-americanas às barreiras comerciais impostas por outros países. Na avaliação do senador, Lula "provoca as tarifas" ao adotar uma postura de confronto com os Estados Unidos.
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