Como os protestos na Ucrânia enfraquecem o regime de Zelensky? Analista explica o cenário (VÍDEOS)

13/07/2026 às 13:590 visualizações
Sputnik Brasil
Na política interna ucraniana, segundo Ricardo Cabral, editor do canal Geopolítica & História Militar e coautor do livro "Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas", em entrevista à Sputnik Brasil, esses atos demonstram fraqueza do regime de Kiev e também refletem a perseguição à oposição.

"Eu vejo um enfraquecimento paulatino da Ucrânia. O que a gente sabe através dessas manifestações e pela questão da carestia, embates não no parlamento, porque houve vários expurgos e acusações diversas de traição. Muita gente que era da Suprema Rada [parlamento ucraniano] fugiu. Então, a oposição mais aguerrida está fora da Ucrânia", disse.

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A mobilização popular contra as autoridades ucranianas em Lvov também é simbólica por ter ocorrido em uma cidade que é culturalmente mais próxima do Ocidente. Com isso, o analista conjectura que mais manifestações podem se alastrar para outras regiões.
Ainda mais aquelas com influência polonesa, principalmente neste momento em que há um distanciamento entre Kiev e Varsóvia, após uma unidade militar ucraniana ter sido batizada de "Heróis da UPA", que faz alusão ao Exército Insurgente Ucraniano, antiga milícia composta por ucranianos colaboracionistas da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, com participação no massacre contra os poloneses no período.

"Lutsk e Lvov são cidades polonesas que estão na Ucrânia, e Kiev nunca foi muito popular lá, e esses movimentos têm muito mais aderência ao que ocorre na Polônia do que na Ucrânia. Em Lvov e outras cidades, a reação é violenta, e tivemos vários ataques de populares a recrutadores. Acredito que [nessa região] a lembrança dos massacres cometidos por ucranianos [na Segunda Guerra] seja mais presente", comenta.

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Busificação é a 'ponta do iceberg' na crise ucraniana

Para Cabral, os levantes ocorridos contra a busificação apenas demonstram uma pequena parcela de um cenário mais complexo que acontece dentro da Ucrânia, que vem sofrendo com baixas constantes na linha de frente.

"Acho que esse movimento [contra] a busificação é um protesto que vem de forças mais profundas, onde a insatisfação com o governo, que não aparece nas pesquisas e nos comentários dos jornais, é contra a guerra, a corrupção do governo Zelensky e a sua ligação com os nazistas. Principalmente isso é muito forte", destaca.

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Além disso, o especialista menciona que casos de corrupção envolvendo recursos enviados por aliados ocidentais acabam também ecoando na opinião pública, o que se torna mais um ponto de tensionamento interno, intensificando ainda mais o distanciamento do cidadão comum das autoridades locais.

"Quem acompanha a guerra sabe o sofrimento que passou o povo ucraniano no inverno. Foi muito difícil para os ucranianos, e explodiu como uma bomba a corrupção, o desvio de recursos voltados justamente para o reparo e para a colocação de gás e energia nas casas para aquecimento e geração de energia", observa.

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Conjuntura tende a enfraquecer apoio europeu a Kiev

Outro ponto levantado por Ricardo Cabral é que, além dos casos de corrupção, o desgaste político interno nos países aliados, intensificado pelo financiamento a Kiev no atual conflito contra Moscou, podem fazer com que o apoio europeu diminua de forma gradual.

"Com relação ao apoio europeu, a liderança que apoia Zelensky está cada vez mais cansada dele. Nas últimas reuniões [G7 e OTAN], para as quais ele foi convidado por causa dos europeus, ele não conseguiu reuniões em profusão com os líderes e nem se encontrar com Trump, que o evitou o tempo todo. E talvez seja tão importante quanto a sua perda de apoio popular dentro da Ucrânia são os escândalos de corrupção", conclui.

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A Ucrânia, que já sofre com perdas humanas, êxodo e o desgaste do apoio europeu, ainda enfrenta uma crise diplomática com a então aliada Polônia, que, somada aos protestos, evidencia as crises internas que já geram impactos dentro do tecido social ucraniano.
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