Governo chinês convoca embaixadores europeus e protesta contra declarações sobre o Mar do Sul da China

Por Mauro Ramos14/07/2026 às 14:045 visualizações
Navio Chuanshan da Guarda Costeira da China realiza um disparo de advertência com canhão de água durante um treinamento nas águas territoriais de Huangyan Dao, na China, no Mar da China Meridional.
Navio Chuanshan da Guarda Costeira da China realiza um disparo de advertência com canhão de água durante um treinamento nas águas territoriais de Huangyan Dao, na China, no Mar da China Meridional.
Brasil de Fato

O Ministério das Relações Exteriores da China convocou os chefes das embaixadas de países europeus em Pequim e a delegação da União Europeia para apresentar protesto formal contra as declarações feitas no domingo (12) pelos dez anos da arbitragem sobre o Mar do Sul da China. A medida foi anunciada pelo porta-voz da pasta, Lin Jian, em coletiva nesta terça-feira (14).

A declaração conjunta, articulada por Estados Unidos e Filipinas, foi assinada por países europeus, entre eles Reino Unido, Estônia, Alemanha, Letônia, Lituânia e Romênia. A União Europeia divulgou um texto separado. Os documentos marcaram os dez anos da sentença de um tribunal arbitral que funcionou em Haia, nos Países Baixos, e rejeitou as reivindicações chinesas na região. Lin Jian afirmou que eles “distorceram os fatos e difamaram maliciosamente a China”.

“A soberania da China sobre as ilhas no Mar do Sul da China e seus direitos e interesses correlatos foram estabelecidos ao longo de um extenso processo histórico e possuem ampla base histórica e jurídica”, afirmou o porta-voz. Para ele, o tribunal que proferiu a sentença “foi convocado às pressas para fins políticos e não possui qualquer autoridade ou imparcialidade”, e o processo foi “uma farsa encenada por alguns países ocidentais com o objetivo político de conter a China”.

Lin Jian afirmou que a Europa não é parte na disputa e “não tem o direito de interferir na legítima soberania territorial e nos direitos marítimos da China”. Segundo ele, a “flagrante hipocrisia” de países europeus em questões de direito internacional “mina ainda mais a sua credibilidade internacional e não contribui para fortalecer a confiança mútua entre a China e a UE”. O porta-voz pediu que o bloco pare de endossar a sentença, “de modo a não afetar as relações e a cooperação entre a China e a UE”.

A embaixada da China no Reino Unido já havia se manifestado no domingo, afirmando que o país “não é parte na questão do Mar do Sul da China e não está em posição de fazer comentários irresponsáveis” sobre a soberania territorial chinesa. A embaixada pediu que Londres deixe de participar do “espetáculo anti-China encenado por um punhado de países” e pare de “atiçar tensões e criar problemas na região”.

O caso de arbitragem

As Filipinas iniciaram o processo unilateralmente em 2013, invocando a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, perante um tribunal formado especialmente para o caso. Em 12 de julho de 2016, o tribunal decidiu em favor de Manila e concluiu que as reivindicações chinesas de direitos históricos na região não tinham base na Convenção.

A China não participou do processo e não reconhece a sentença. Em documento de posição publicado em 2014, o governo argumentou que a essência do caso é a soberania territorial sobre ilhas e recifes, matéria fora do alcance da Convenção. O país também sustenta que uma declaração feita em 2006, prevista pelo próprio tratado, excluiu as disputas de delimitação marítima dos procedimentos compulsórios de arbitragem.

A disputa abrange quatro arquipélagos que a China reivindica na região: Dongsha, Xisha, Zhongsha e Nansha, além das águas adjacentes. O caso aberto pelas Filipinas se concentrou nas ilhas Nansha (chamadas de Spratly no Ocidente), grupo mais ao sul do mar, e na ilha de Huangyan (Scarborough).

Em um livro branco publicado em 2016, o governo chinês defendeu a resolução das disputas por meio de negociação e consulta com os países diretamente envolvidos, posição repetida por Lin Jian nesta terça-feira. Segundo o porta-voz, ao longo da última década, “as práticas de muitos países e instituições judiciais internacionais no tratamento de casos relacionados diferem da sentença”. A China, disse ele, continuará a trabalhar com os países da região “para manter a paz e a segurança no Mar do Sul da China e promover a prosperidade e o desenvolvimento regional”.

Fonte
Brasil de Fato
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