China e Rússia concluíram nesta segunda-feira (13) o exercício naval conjunto “Joint Sea-2026” (Mar Conjunto), que pela primeira vez integrou operações de superfície, aéreas e submarinas dos dois países. Após o treinamento, parte da frota seguiu para uma patrulha conjunta no oceano Pacífico, a sexta realizada desde 2021.
A série de exercícios navais entre China e Rússia começou em 2012. A edição de 2026, a 12ª realizada pelos dois países, teve início em 6 de julho. As duas marinhas mobilizaram dez embarcações, entre unidades de superfície, submarinos, aeronaves e unidades de apoio, para aperfeiçoar a capacidade de resposta coordenada a riscos à segurança marítima.
De acordo com a parte chinesa, a edição deste ano simulou integralmente ambientes reais de combate marítimo e aéreo, aprofundou a confiança estratégica mútua entre as duas Forças Armadas e elevou a capacidade de resposta conjunta a crises no mar.

Exercício sem roteiro
Na parte marítima, oito navios de superfície e dois submarinos operaram em formação de coluna dupla e fizeram treinamentos com forças e munição reais. O treinamento incluiu disciplinas como reconhecimento conjunto, defesa antiaérea e antimísseis, ataques a alvos de superfície e resgate de submarinos.
As operações não tiveram um roteiro fixo. Os comandantes ajustaram as ações em tempo real, conforme a situação tática e as condições do mar e do tempo, com as forças dos dois países organizadas em grupos mistos que combinaram plataformas navais, aéreas e submarinas.
Pela primeira vez na série, o exercício contou com submarinos e navios de resgate submarino. A Rússia empregou o Ufa, enquanto a China mobilizou um modelo de nova geração.
Com essa ampliação, a cooperação deixou de se restringir às operações de superfície e passou a abranger ações de combate no mar, no ar e debaixo d’água.
Patrulha no Pacífico
A patrulha iniciada após o encerramento do exercício é a sexta realizada por China e Rússia desde 2021. A rota deve levar a frota para além da chamada primeira cadeia de ilhas, que liga o arquipélago japonês, Taiwan e as Filipinas. No planejamento militar dos Estados Unidos, essa faixa é considerada um perímetro de contenção da projeção naval chinesa.
Em entrevista à estatal de mídia chinesa CMG, o observador militar Wei Dongxu explicou que a patrulha em frota conjunta impõe situações mais complexas que as do exercício.
“Quando as formações navais chinesa e russa navegam em mar aberto, além da primeira cadeia de ilhas, não se pode descartar que navios e aeronaves de outros países façam acompanhamento e assédio, o que também serve como oportunidade de treinamento”, afirmou.
Para Wei, a etapa no Pacífico permite às duas marinhas demonstrar capacidade de defesa e contra-ataque, além da disposição de atuar em conjunto pela paz e pela estabilidade regionais.
