Comércio exterior da China cresce 16,9% no 1º semestre, com alta de 22,1% nas importações

Por Mauro Ramos14/07/2026 às 16:332 visualizações
Um navio de carga atraca no porto de Qingdao, na província de Shandong, no leste da China, em 13 de outubro de 2025.
Um navio de carga atraca no porto de Qingdao, na província de Shandong, no leste da China, em 13 de outubro de 2025.
Brasil de Fato

O comércio exterior da China cresceu 16,9% no primeiro semestre de 2026 e superou pela primeira vez a marca de 25 trilhões de yuans (cerca de R$ 19,4 tri) em um semestre, segundo dados divulgados nesta terça-feira (14) pela Administração Geral das Alfândegas.

As importações foram as que mais tiveram crescimento, 22,1%, somando 10,74 trilhões de yuans (R$ 8,2 tri), enquanto as exportações subiram 13,4%, para 14,73 trilhões de yuans (R$ 11,2 tri).

O comércio com os países vizinhos cresceu 20,6% e com a África, 19,6%, ambas acima da média, enquanto a América Latina avançou 16,2% e os Estados Unidos ficaram com 7,9% do total. No caso africano, o crescimento supera o do mesmo período de 2025, quando o comércio havia subido 14,4%.

Os dados foram apresentados pelo vice-diretor-geral da Administração Geral das Alfândegas, Wang Jun, e pelo porta-voz e diretor do departamento de estatística e análise do órgão, Lü Daliang.

América Latina, África e países vizinhos

O comércio com os países vizinhos da China somou 9,44 trilhões de yuans (R$ 7,2 tri), e a Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), maior parceira comercial do país, cresceu 18,2%, chegando a 4,34 trilhões de yuans (R$ 3,3 tri). Já os países da Iniciativa Cinturão e Rota responderam, em conjunto, por mais da metade (50,9%) do comércio exterior chinês, com 12,97 trilhões de yuans (R$ 9,9 tri) e aumento de 14,8%.

Com a Copa do Mundo em andamento, as exportações de artigos esportivos para a América Latina subiram 18,9%, e as vendas do setor para a África, 8,1%.

A expansão da tarifa zero desde 1º de maio da China para todos os produtos de 53 países africanos teve um papel nos números deste primeiro semestre. Nos dois primeiros meses da medida, as importações vindas da África somaram 193,8 bilhões de yuans (R$ 147 bi), uma alta de 23,5%, com destaque para pescados, têxteis e frutas: as compras de abacates mais que dobraram, e as de maçãs cresceram 89,6%.

A China, por sua vez, exportou 534,1 bilhões de yuans (R$ 406 bi) em produtos eletromecânicos para a África, aumento de 28,8%, com destaque para painéis solares, equipamentos de transmissão de energia e autopeças.

Retomada do ritmo de comércio com os EUA

O comércio com os Estados Unidos somou 2 trilhões de yuans (R$ 1,5 tri) no semestre e registrou a primeira virada desde o tarifaço de Donald Trump, que chegou a taxar os produtos chineses em 145% em 2025: depois de cair 18,7% no primeiro trimestre, as trocas bilaterais cresceram 13,7% no segundo. O crescimento no entanto não repõe as perdas registradas.

Lü Daliang atribuiu a tímida recuperação à visita de Trump à China, em maio. “A reunião entre os chefes de Estado definiu um novo posicionamento para as relações entre os dois países, deu expectativas estáveis à relação econômica e comercial e injetou uma dinâmica positiva”, afirmou.

Superávit menor

Questionado sobre o posicionamento da União Europeia em relação ao superávit chinês, Lü Daliang respondeu que o saldo encolheu 4,7% no semestre. “Não somos apenas o maior exportador do mundo, somos também o segundo maior importador”, afirmou.

Dirigentes da União Europeia têm lamentado o superávit chinês, que atingiu cerca de 360 bilhões de euros (R$ 2,2 tri) em 2025, segundo dados do próprio bloco. Em junho, na cúpula do G7 na França, a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o avanço da indústria chinesa nos mercados globais como um “novo choque da China”. No dia 1º de julho, o bloco colocou em vigor novas regras em relação a produtos siderúrgicos e taxas sobre pequenas encomendas do comércio eletrônico, medidas que afetam principalmente as importações de produtos chineses.

Entre os motores das compras externas, Wang Jun citou a melhora da demanda interna, com a produção industrial em alta e a aquisição de insumos para a indústria: as importações de minérios metálicos cresceram 22,6% e as de componentes eletrônicos, 45,6%. O vice-diretor-geral também mencionou a tarifa zero e a autorização de entrada de novos alimentos no mercado chinês neste ano, como o caju e a pimenta seca de países africanos, a noz-pecã do Uruguai e a maçã da Bélgica.

O porta-voz lembrou que a China e a União Europeia mantêm um mecanismo regular de consultas sobre comércio e investimentos, que realizou sua primeira reunião nos últimos dias e discutiu o chamado “reequilíbrio para cima” das trocas com o bloco. O comércio com os europeus cresceu 10,2% no semestre.

Empresas privadas e alta tecnologia

As empresas privadas continuaram como principal motor do comércio exterior chinês, com 14,53 trilhões de yuans (R$ 11 tri), alta de 17% e 57% do total. Mais de 660 mil empresas privadas registraram operações de importação ou exportação no semestre.

As exportações de alta tecnologia do país cresceram 39%, atingindo 3,26 trilhões de yuans (R$ 2,5 tri), e os produtos ligados à infraestrutura de inteligência artificial, como componentes eletrônicos e peças de computador, movimentaram 5,13 trilhões de yuans (R$ 3,9 tri), aumento de 56,6%. Entre os robôs, que ganharam classificação aduaneira própria neste ano, as vendas de máquinas industriais cresceram 18,6% e chegaram a 141 países, e as de robôs cirúrgicos mais que quadruplicaram, para 480 milhões de yuans (R$ 365 milhões).

Para o segundo semestre, Wang Jun citou as projeções do Fundo Monetário Internacional, que preveem desaceleração do crescimento do comércio global de bens e serviços de 5% em 2025 para 3,5% neste ano, além de pressão inflacionária e aumento de barreiras comerciais. Mesmo assim, afirmou: “Temos confiança e capacidade de manter o bom momento do comércio exterior”.

Fonte
Brasil de Fato
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