A escalada de hostilidades entre Irã e Estados Unidos segue crescendo com ataques mútuos. Novamente, a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz aparece como principal elemento dessa retomada da guerra.
O memorando de entendimento assinado pelos dois países, que abriria caminho, no prazo de 60 dias, para o fim do conflito, foi desconsiderado pelo presidente Donald Trump, que, neste momento, tenta mostrar ao mundo que é ele quem manda. Contudo, a trajetória do conflito indica que os EUA estão “nas cordas” dessa luta e não conseguiram nada do que tinham anunciado quando assassinaram o aiatolá Ali Khamenei, dando início à guerra.
“O acordo acabou não progredindo e Trump é realmente uma figura imprevisível, que tem suas motivações econômicas e financeiras. No dia 28 de fevereiro, eles mataram o aiatolá, prometeram uma mudança de regime e o fim do programa nuclear, e não conseguiram nada disso“, afirma a analista internacional Ana Prestes, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
O aliado de primeira hora dos EUA, Benjamin Netanyahu, também colaborou para o tensionamento, crescendo o tom de ameaças ao país persa. “Israel ficou muito contrariado com o memorando de entendimento. Eles não aceitam de jeito nenhum. Houve desavenças públicas entre Trump e Netanyahu, e JD Vance, o vice-presidente dos EUA. Netanyahu é o maior interessado na retomada da guerra”, aponta.
Ana Prestes avalia que, para muitos, pode parecer um capricho de Trump a retomada das hostilidades, mas a “guerra impacta muito no preço do petróleo e da economia mundial”. Na análise da especialista, o presidente estadunidense está apostando na confusão. “Ele chegou a dizer que quer reembolso dos países que estão sendo protegidos pelo fato de eles estarem enfrentando o Irã. É praticamente uma extorsão”, critica.
Ela também aponta a questão do tarifaço global, que atingiu sensivelmente o Brasil, e define: “Trump se comporta como o business man, que está atrás do dinheiro do mundo para os EUA. Ele quer convencer internamente de que os Estados Unidos estão enfrentando a força do mal. Eles estão arriscando a relação com os próprios países do Golfo. A China está sendo muito prejudicada.”
“A gente está assistindo a um momento muito dramático da condução da geopolítica pela Casa Branca. Isso sem contar as consequências humanas e materiais para o povo iraniano. A gente pode chegar a um choque energético mundial”, alerta.
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