A direção do Partido Comunista da China (PCCh) afirmou nesta terça-feira (14) que o fortalecimento das relações com o Vietnã contribui para “a causa do socialismo mundial”, durante um encontro em Pequim entre dirigentes dos partidos comunistas dos dois países.
A declaração foi feita por Wang Huning, membro do Comitê Permanente do Bureau Político do PCCh e presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, ao receber uma delegação do Partido Comunista do Vietnã (PCV) liderada por Lê Minh Trí, integrante do Bureau Político da legenda vietnamita.
Segundo Wang, os entendimentos alcançados entre o secretário-geral do PCCh, Xi Jinping, e o secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Tô Lâm, durante a visita do líder vietnamita à China em abril, representam uma orientação para aprofundar a cooperação bilateral e impulsionar “a causa do socialismo mundial”. O dirigente afirmou que Pequim está disposta a implementar os consensos firmados pelas duas lideranças e avançar na construção da chamada Comunidade China-Vietnã com Futuro Compartilhado, conceito que orienta as relações entre os dois países.
Embora não tenha resultado em novos acordos, a reunião reforçou o papel que os dois partidos atribuem ao intercâmbio político como instrumento para aprofundar a cooperação bilateral. Além das relações diplomáticas entre os governos, o Partido Comunista da China e o Partido Comunista do Vietnã mantêm mecanismos permanentes de diálogo sobre governança, planejamento econômico, combate à corrupção, formação de quadros e desenvolvimento socialista.
Relação estratégica em expansão
A aproximação entre Pequim e Hanói ganhou novo impulso em abril, quando Tô Lâm realizou uma visita de Estado à China. Na ocasião, os dois países assinaram 32 documentos de cooperação em áreas como inteligência artificial, conectividade ferroviária, cadeias produtivas, inspeção alfandegária, comércio agrícola, cultura, esportes, desenvolvimento de recursos humanos e intercâmbio entre meios de comunicação.
A visita foi apresentada pelos dois governos como um marco para acelerar a construção da Comunidade China-Vietnã com Futuro Compartilhado e ampliar a coordenação entre os dois partidos.
A parceria também se sustenta em uma relação econômica cada vez mais estreita. A China é o maior parceiro comercial do Vietnã. O comércio bilateral alcançou cerca de US$ 260 bilhões em 2025, impulsionado pela integração das cadeias industriais entre os dois países. Além do comércio, empresas chinesas ampliaram investimentos em setores como manufatura, energia, logística e infraestrutura, consolidando o Vietnã como um importante polo industrial do Sudeste Asiático.
Entre os projetos prioritários está a ampliação da conectividade ferroviária entre o sul da China e o norte do Vietnã, considerada estratégica para reduzir custos logísticos e fortalecer os fluxos comerciais. Os dois governos também vêm intensificando a cooperação em economia digital, inteligência artificial, agricultura e desenvolvimento de infraestrutura.
A cooperação entre os partidos comunistas permanece como um dos pilares da relação bilateral. Além dos contatos frequentes entre as lideranças, PCCh e PCV promovem intercâmbios entre escolas de formação política, programas de capacitação de quadros e seminários sobre governança, planejamento econômico e combate à corrupção.
Durante o encontro desta terça-feira, Wang afirmou que Xi Jinping e Tô Lâm mantêm uma comunicação estratégica próxima e defendeu a implementação dos consensos alcançados pelas duas lideranças como forma de produzir novos avanços na relação bilateral. Segundo ele, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês continuará contribuindo para ampliar o intercâmbio político entre os dois países.
Em resposta, Lê Minh Trí parabenizou o Partido Comunista da China pelos 105 anos de sua fundação e afirmou que o Vietnã pretende aprofundar a implementação dos consensos alcançados pelos líderes dos dois países, além de ampliar o intercâmbio sobre a teoria do socialismo com características chinesas. O dirigente também elogiou as iniciativas globais propostas por Xi Jinping e os resultados obtidos pela China em seu processo de desenvolvimento.
Cooperação apesar das divergências
A aproximação entre Pequim e Hanói ocorre apesar das disputas no Mar do Sul da China. Os dois países chegaram a entrar em conflito armado em 1979 e mantiveram relações tensas durante parte da década seguinte. A normalização das relações diplomáticas ocorreu em 1991 e, desde então, a cooperação política e econômica avançou de forma contínua, mesmo com divergências sobre áreas marítimas reivindicadas por ambos.
Nos últimos anos, as duas lideranças têm buscado impedir que essas disputas comprometam o restante da agenda bilateral, preservando canais permanentes de diálogo e ampliando a coordenação em temas econômicos, políticos e partidários.
A referência de Wang Huning à “causa do socialismo mundial” foi um dos principais pontos do encontro. Ao relacionar o fortalecimento da parceria sino-vietnamita ao desenvolvimento do socialismo, o dirigente reforçou a dimensão ideológica atribuída por Pequim à cooperação entre dois dos poucos países do mundo governados por partidos comunistas.
Sem anunciar novas medidas concretas, a reunião em Pequim reafirmou a prioridade dada por China e Vietnã ao aprofundamento da cooperação política, econômica e partidária, além da implementação dos acordos firmados por Xi Jinping e Tô Lâm durante a visita de abril. O encontro também sinalizou a intenção dos dois países de manter o fortalecimento da parceria como um dos eixos de sua atuação no cenário regional e internacional.
