Para economista, mistura de 32% de etanol na gasolina expõe importância da soberania no refino

Por Larissa Bohrer15/07/2026 às 00:010 visualizações
Guerra no Irã e modelo de privatização ampliam impacto da alta do petróleo nos preços dos combustíveis no Brasil
Guerra no Irã e modelo de privatização ampliam impacto da alta do petróleo nos preços dos combustíveis no Brasil
Brasil de Fato

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou de 30% para 32% a mistura de etanol anidro na gasolina comum. A medida, com validade de 180 dias, tem o objetivo de frear o aumento dos combustíveis após a retomada da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. O conflito prejudica o trânsito pelo Estreito de Ormuz, principal canal de passagem de petróleo do mundo, elevando preços globalmente.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o economista Iago Montalvão, pesquisador do Transforma-Unicamp e do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), explica que a medida também tem impacto ambiental.

“Tanto a gasolina que está na bomba do combustível quanto o diesel S-10 devem vir com uma mistura de biocombustível, no caso do diesel, o biodiesel, e, no caso da gasolina, o etanol anidro. Isso contribui para a redução da emissão do gás de efeito estufa, que está vinculado à gasolina pura. Isso também pode ser a possibilidade de reduzir custos, uma vez que o custo de produção do etanol é menor do que da gasolina”, diz.

Já sobre o preço, Montalvão destaca que existe uma oscilação de mercado, a partir do contexto de guerra no Irã, que impacta no preço do produto final. Porém a medida adotada pelo governo acaba beneficiando poucos, já que o mercado do etanol é muito concentrado. “É preciso discutir o modelo de produção agrária por trás do etanol.”

Montalvão destaca que há outras medidas que são eficazes contra o aumento de preços por causa de oscilações globais do valor do barril de petróleo, e uma delas é ter mais investimento em refino de petróleo. “É preciso retomar a Petrobras forte que tínhamos antes do governo Temer, Bolsonaro. Se a gente faz uma comparação das refinarias privatizadas, quando o preço do barril de petróleo explodiu, o preço tanto da gasolina quanto do diesel refinado [também aumentou]. Na mesma época, a Petrobras fez apenas um reajuste no diesel abaixo da proporção do aumento do petróleo, e algum reajuste na gasolina, já considerando o subsídio que o governo ofertou. Quando você tem capacidade de refino, autonomia e capacidade de regular preços, você consegue conter isso”, destaca.

Iago Montalvão elogia a existência da Petrobras, que faz com que o Brasil, apesar de oscilações no preço, possa se considerar resguardado de um eventual apagão de combustíveis. “Temos uma Petrobras forte, uma política de preços baseada no mercado doméstico e os subsídios do governo são primordiais para a gente conter esses preços, ainda que a questão do etanol possa ser um fator primordial, em especial pela discussão da descarbonização”, defende. “Ficamos abaixo da média global no aumento de combustíveis, porque temos autonomia”, resume.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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