França esgota reservas de gás de inverno devido à onda de calor extrema

14/07/2026 às 13:520 visualizações
Sputnik Brasil
A extração agressiva das reservas de gás francesas no verão (Hemisfério Norte) representa um grande desafio para a segurança energética do país. Normalmente, os reservatórios são abastecidos durante os meses mais quentes para criar uma reserva antes da chegada do frio.
Mas agora, quase metade dos metros cúbicos que entram são imediatamente liberados. Entre 1º e 10 de julho, a injeção total foi de 367,9 milhões de metros cúbicos, enquanto a extração atingiu 211,5 milhões, praticamente anulando todos os esforços de armazenamento.
Especialistas estão muito alarmados com a velocidade com que os reservatórios estão sendo abastecidos uma vez que esta é a menor já registrada para esta época do ano. O aumento das reservas foi de apenas 0,14%, comparado a 0,29% no mesmo período de 2025.
Essa tendência levanta dúvidas sobre o preparo para o próximo inverno, já que a produção interna e as importações são claramente insuficientes para atender à demanda atual.
A principal causa é o calor extremo na Europa Ocidental. Com temperaturas acima de 40°C, os franceses ligaram seus aparelhos de ar condicionado de forma massiva, elevando o consumo de eletricidade. As usinas a gás estão tendo que gerar mais eletricidade queimando o combustível reservado para o inverno.

"Neste momento, toda a infraestrutura da Europa está suportando uma carga comparável à dos meses de pico do inverno em termos de consumo de recursos, incluindo gás. O motivo: o calor anormal e o aumento da carga em todo o sistema de fornecimento de recursos devido aos aparelhos de ar condicionado e à operação forçada de todos os sistemas de refrigeração em capacidade máxima", comentou o consultor financeiro Aleksei Rodin.

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Panorama internacional
Termodinâmica política: onda de calor expõe dilema energético europeu pós-banimento russo
Especialistas preveem que a França continuará a utilizar o gás de suas reservas por pelo menos mais duas semanas.
Em meados de junho, uma onda de calor anormal se instalou na Europa. Em diversos países, as temperaturas do ar atingiram 40°C e, em alguns lugares, até ultrapassaram essa marca. O alerta meteorológico de nível máximo (vermelho) foi declarado na França, no Reino Unido, nos Países Baixos e na Itália. Uma das principais emissoras francesas já havia noticiado anteriormente que pelo menos 94 milhões de pessoas na Europa enfrentariam o calor extremo em meio a essas temperaturas anormalmente altas.
Em janeiro, o Conselho da União Europeia aprovou a regulamentação para a eliminação gradual das importações de gás natural liquefeito (GNL) e gás de gasoduto da Rússia. A proibição da importação de combustível sob contratos de curto prazo entrou em vigor em 25 de abril de 2026 e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027 para contratos de longo prazo. Quanto ao gás de gasoduto, a proibição está em vigor desde 17 de junho de 2026 para contratos de curto prazo e entrará em vigor em 1º de novembro de 2027 para contratos de longo prazo.
Moscou tem afirmado repetidamente que o Ocidente cometeu um grave erro ao cessar a compra de recursos energéticos russos e acabará se tornando ainda mais dependente de suprimentos mais caros. As autoridades russas afirmam que aqueles que rejeitaram essas importações continuam a adquirir carvão, petróleo e gás russos por meio de intermediários e a preços mais altos.
Referindo-se aos problemas de abastecimento energético decorrentes da crise no Oriente Médio, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, enfatizou que isso poderia levar a Europa a se tornar dependente de outro Estado.
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