Psol confirma chapa em Pernambuco se anunciando como ‘alternativa real para quem quer sair das velhas oligarquias’

Por Vinicius Sobreira15/07/2026 às 09:510 visualizações
Alice Gabino (Rede), Ivan Moraes (Psol) e Paulo Rubem Santiago (Rede)
Alice Gabino (Rede), Ivan Moraes (Psol) e Paulo Rubem Santiago (Rede)
Foto: | / Brasil de Fato

Foi anunciado nesta terça-feira (14) o trio que deve formar a chapa majoritária da federação Psol-Rede visando as eleições deste ano em Pernambuco. O ex-vereador recifense Ivan Moraes (Psol) encabeça a candidatura ao governo do estado, tendo como vice a ambientalista Alice Gabino (Rede). O ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago (Rede) é o único nome da chapa visando a eleição para o Senado Federal. A aliança conta ainda com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que deve indicar o 1º suplente da candidatura ao Senado. O anúncio foi oficializado numa entrevista coletiva com a imprensa na sede do Psol.

Nas pesquisas eleitorais, por enquanto, Ivan Moraes varia entre 1% e 2% das intenções de voto, mas mostra otimismo na disputa, afirmando-se como a única candidatura que representa os setores de esquerda no estado. “Noutras eleições, a candidatura do Psol disputava espaço com outros nomes neste mesmo campo. Mas hoje não. As duas candidaturas tidas como ‘favoritas’ nutrem o mesmíssimo programa político, enquanto a nossa se destaca pela ousadia e pela coragem de propor pautas que as outras não irão propor”, afirmou Ivan. Uma das pautas “ousadas” é a implementação da tarifa zero no transporte público nos principais centros urbanos de Pernambuco.

Apesar de ter bem menos recursos financeiros para viajar e fazer propaganda, Moraes confia que a mensagem chegará àquele eleitor progressista que se vê “órfão” na disputa deste ano. “A militância do PT, por exemplo, está com dificuldade de encontrar seu lugar. E nós temos tentado dialogar com essas pessoas, apresentando uma alternativa real para quem quer sair das mesmas e velhas oligarquias. Tenho certeza que seremos uma surpresa nesse processo eleitoral”, confia o pré-candidato do Psol. Ele afirma ainda que, nos 10 anos como militante do Psol, o partido nunca havia chegado à porta das eleições com um programa de governo tão estruturado como agora.

Advogada e ambientalista, a pré-candidata a vice-governadora Alice Gabino (Rede) lembrou que há apenas dois anos, em 2024, a chapa formada por ela ao lado da deputada Dani Portela (então no Psol, hoje no PT), com apenas 30 segundos diários de propaganda na TV e rádio, teve melhor desempenho que o ex-deputado Daniel Coelho (PSD). “Superamos a candidatura da máquina do governo Raquel Lyra e este ano vocês podem ver se repetir. Isso acontece porque esta é uma chapa comprometida com as pessoas das periferias, com as mulheres, com os jovens, com as pessoas negras e todos os que precisam ser prioridade do governo”, vislumbrou.

O pré-candidato a senador Paulo Rubem Santiago (Rede), lembrou a vitória do ex-prefeito João Paulo (PT) sobre o então prefeito Roberto Magalhães (PFL) no ano 2000. “Eleição não se vence na véspera e já tivemos um grande exemplo disso. A eleição se conquista no debate e durante a campanha muita coisa acontece”, alertou o ex-deputado federal.

Santiago pediu à imprensa que eles sejam convidados para participar de debates para que possam apresentar suas ideias à população. “Não temos ‘máquina’ para sustentar nossas andanças, mas estamos circulando. Eu mesmo já participei de mais de 20 conferências municipais de educação, mesmo sem ter mandato”, pontuou. “E de todas as candidaturas ao Senado, sou aquela que está há mais tempo ao lado de Lula, porque estou com ele desde o movimento sindical”, rememorou. Além de histórico defensor da pauta da educação pública, Paulo Rubem destaca seu interesse em colaborar para uma regulamentação do sistema financeiro do Brasil.

Disputa pelo lulismo

Questionado sobre a busca das candidaturas da governadora Raquel Lyra (PSD) e do ex-prefeito João Campos (PSB) por “sinais” enviados pelo presidente Lula (PT), o pré-candidato do Psol deseja “que a população pernambucana tenha a oportunidade de saber que quem estava o tempo todo contra o fascismo e contra o extremismo fomos nós”, alegando que há candidatos que “estão com Lula de modo conveniente, só olhando para as pesquisas”.

Ivan Moraes (Psol) é jornalista, ativista pelos direitos humanos e candidato do Psol ao Governo de Pernambuco |
Ivan Moraes (Psol) é jornalista, ativista pelos direitos humanos e candidato do Psol ao Governo de Pernambuco | — Keise Nascimento / Psol Pernambuco
Ivan Moraes (Psol) é jornalista, ativista pelos direitos humanos e candidato do Psol ao Governo de Pernambuco | Crédito: Keise Nascimento / Psol Pernambuco

“Estivemos com Lula desde o início. A gente estava na rua [em 2018] pedindo ‘Lula livre’ no dia em que ele foi preso. Fomos às ruas em todos os protestos. Quando ele foi solto também estávamos lá [no centro do Recife, onde aconteceu um evento político cultural]. E todas as vezes olhamos para os lados. Nós lembramos quem estava lá e quem não estava”, pontua Ivan Moraes. Ele considera que “nenhum outro palanque vai representar a união das esquerdas como o nosso”.

Apesar de apontar o “oportunismo” de alguns, o pré-candidato do Psol comemora que a extrema-direita não tenha em Pernambuco um representante legítimo disputando o governo do estado. “Tenho certeza que Lula terá uma excelente votação aqui. A situação é tão confortável que talvez ele nem precise pisar no estado”, prospectou.

Mas Moraes considera a reeleição do presidente como essencial para o ambiente democrático do país. “Ninguém está plenamente satisfeito com a gestão. Mas se queremos continuar lutando para termos um governo que nos deixe satisfeitos, não podemos dar brecha para retrocessos. E o presidente Lula, hoje, é o guardião desse caminho da democracia que a gente quer construir”.

Posicionamentos e propostas

O pré-candidato criticou a concessão de partes do serviço da Compesa para a iniciativa privada por décadas e também as movimentações para a privatização das linhas de trens da região metropolitana do Recife. “O que é do povo tem que ser discutido, cuidado, mas tem que continuar sendo nosso. As iniciativas de privatização do que é público, via de regra, têm sido equivocadas e não farão parte do nosso programa”, resumiu.

Ainda sobre os trens, cuja privatização é incentivada pelo BNDES do governo Lula, o pré-candidato do Psol não se esquivou. “É um equívoco. Se o governo federal tem R$ 4 bilhões para investir no metrô, que seja investido agora, não após a privatização. Seria interessante rever essa situação, para deixá-lo ‘nos trinques’. Nos países onde o metrô foi privatizado, deu errado. É possível manter o controle público e fazer com excelência”, opinou.

Questionado sobre os parques eólicos no Agreste do estado, cujas violações de direitos têm sido denunciadas nos últimos anos, Moraes sugeriu ajustes no modelo. “É importante definir quais formas de geração de energia são mais eficientes e geram menor impacto. Se as principais alternativas são eólica e solar, então que encontremos uma forma que traga mais benefícios e menos violações do que temos hoje”.

Alice Gabino (Rede) é advogada e ambientalista, com passagens pelo Ibama e pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco |
Alice Gabino (Rede) é advogada e ambientalista, com passagens pelo Ibama e pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco | — Keise Nascimento / Psol Pernambuco
Alice Gabino (Rede) é advogada e ambientalista, com passagens pelo Ibama e pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco | Crédito: Keise Nascimento / Psol Pernambuco

Ele também prometeu que, se eleito governador, terá no mínimo 50% da equipe formada por mulheres, mesmo percentual base para pessoas negras, além da participação de pessoas LGBT. “Não é conversa mole. Eu já fiz isso na minha equipe ao longo dos oito anos em que fui vereador e deu muito certo. Essa diversidade contribui muito”, garantiu. A pré-candidata a vice-governadora Alice Gabino (Rede) completou garantindo que não está compondo a chapa “como enfeite ou para cumprir cota”.

Gabino dá centralidade à questão da segurança pública e da violência contra as mulheres. “Temos poucas delegacias da mulher nos territórios. E elas deveriam ficar abertas 24 horas por dia. Isso é cobrado do litoral ao Sertão. O estado não oferece às mulheres vítimas de violência nem mecanismos judiciais e nem outros que possibilitem o acolhimento e o empoderamento destas mulheres para que saiam da situação de violência”, criticou. “Somos a maioria no estado, mas continuamos esquecidas por uma gestão liderada por mulheres”, completou.

Perfis

Ivan Moraes Filho (Psol) é jornalista e ativista em defesa dos direitos humanos, com destacada atuação em defesa do direito à comunicação. Foi vereador do Recife de 2017 a 2024, quando não quis tentar a reeleição, “abrindo espaço para novos nomes” e cumprindo uma promessa feita no seu primeiro pleito. É filiado ao Psol desde 2016.

Alice Gabino (Rede) é advogada e ambientalista, tendo sido candidata a vice-prefeita (2024), vice-governadora (2022) e a deputada federal (2018). Antes, trabalhou no Ibama ao longo dos dois primeiros mandatos de Lula (PT) e na secretaria estadual de meio ambiente durante os governos Eduardo Campos e Paulo Câmara (ambos do PSB). Gabino é uma das fundadoras do partido Rede Sustentabilidade, em 2013.

Paulo Rubem Santiago (Rede) é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e, na década de 1980, ocupou postos de liderança sindical no estado. Foi deputado federal por Pernambuco por três mandatos, de 2003 a 2014, eleito tanto pelo PT quanto pelo PDT. Em Brasília, teve destacada atuação em defesa da educação pública. Nos últimos anos, tem feito um esforço de ampliar o debate em torno do orçamento público federal.

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Brasil de Fato
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