A Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) revogou o edital que regulamentava a consulta à comunidade acadêmica para a formação da lista tríplice para a escolha do reitor e vice-reitor. A decisão foi publicada na segunda-feira (13) no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF).
Com a medida, fica mantida a gestão provisória até a organização do novo certame. Em maio, o Governo do Distrito Federal (GDF) encaminhou um projeto de lei complementar (PLC) à Câmara Legislativa (CLDF) para alterar o cronograma de transição democrática da UnDF. Ainda em tramitação, o texto amplia o prazo máximo de atuação da gestão temporária para até seis anos.
Segundo a administração da UnDF, o prazo máximo para manter o processo eleitoral suspenso chegou ao fim, o que impediu, juridicamente, a continuidade da eleição conforme previsto pelo edital. Por isso, a universidade decidiu revogar o documento e adotou providências para a instauração de um novo procedimento eleitoral compatível com a atual legislação.
A instrução também afirma que a decisão teve como objetivo revisar as regras do modelo eleitoral da universidade, visando ampliar a participação da comunidade acadêmica. O documento destaca ainda a importância do fortalecimento dos Conselhos Superiores da instituição, considerados importantes para a estruturação da governança universitária.
Outro fator observado pela administração foi a necessidade de recuperar a estabilidade institucional após greves ocorridas neste ano, e cumprir os compromissos assumidos com a categoria docente. Segundo a UnDF, as próximas eleições deverão ser organizadas de acordo com as mudanças que vêm sendo implementadas na instituição e com sua estrutura definitiva de gestão.
O Edital nº 05/2026, publicado em março deste ano, estabelecia critérios e normas para a realização do primeiro processo eleitoral para preencher cargos da administração superior da universidade. A UnDF ressaltou que o cancelamento foi motivado exclusivamente por razões administrativas e negou que a decisão esteja relacionada a qualquer ilegalidade no edital.
Após a revogação, a UnDF criará uma nova comissão eleitoral que deverá fazer um novo edital para a realização da consulta à comunidade acadêmica. O documento também prevê a ampla participação da comunidade acadêmica na construção, no aperfeiçoamento e na execução do novo processo de consulta.
Entenda o caso
Conforme veiculado pelo Brasil de Fato DF, a UnDF foi palco de inúmeras greves nos últimos meses. Estudantes e professores vêm denunciando casos de perseguição e questionam decisões adotadas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) e pela antiga gestão da universidade.
Uma das principais reclamações do corpo acadêmico é referente ao contrato de mais de R$ 110 milhões para aluguel de um prédio privado em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, como campus provisório.
À época, alunos apontaram que a mudança foi feita às pressas e sem consulta prévia à comunidade estudantil. Após quase 50 dias de greve, um acordo encerrou a paralisação em maio, com promessas de reorganização e retomada do diálogo entre gestão, docentes e estudantes.
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