Argentina e Inglaterra se enfrentam na tarde desta quarta-feira (15), no Estádio de Atlanta (EUA), em uma disputa que vale a segunda vaga na final da Copa do Mundo de 2026. O vencedor do confronto enfrenta a Espanha na grande decisão, no próximo domingo (19).
Para a Argentina, o jogo tem contornos de missão histórica: a seleção busca o bicampeonato consecutivo, feito que não acontece desde o Brasil de Pelé (1958 e 1962), e o quarto título Mundial de sua trajetória, o que a colocaria em um seleto grupo ao lado de Alemanha e Itália, ficando atrás apenas do Brasil, que detém cinco troféus.
O lado inglês também busca um resultado histórico. País criador da modalidade futebol, a Inglaterra não é campeã do mundo desde 1966, jogando em casa na Copa que quebrou a sequência de títulos da seleção brasileira. Esse Mundial, inclusive, foi a única final disputada pela seleção inglesa.
O duelo desta tarde neste Mundial também marca uma disputa pela artilharia. Em uma Copa marcada pelo brilho das estrelas em campo, a corrida pelo prêmio de maior marcador permanece acirrada. Lionel Messi, com 8 gols, lidera a lista ao lado de Kylian Mbappé. Do lado inglês, o capitão Harry Kane surge como a principal ameaça, somando 6 gols e vivo na briga pela Chuteira de Ouro.
Rivalidade além do futebol
Mais do que uma semifinal técnica, o encontro entre argentinos e ingleses é um dos capítulos mais carregados de simbolismo no futebol Mundial. A rivalidade, que extrapola as quatro linhas, tem seu marco histórico na Copa de 1986.
Naquela ocasião, Diego Maradona imortalizou seu nome com dois gols antológicos contra a Inglaterra nas quartas de final: a “Mano de Dios” e o “Gol do Século”, este último quando driblou quase metade do time adversário.
A vitória por 2 a 1 não foi apenas esportiva; foi sentida na Argentina como uma resposta simbólica à Guerra das Malvinas, conflito que, apenas quatro anos antes, em 1982, deixou uma ferida aberta na nação.
Guerra das Malvinas
A guerra que durou de abril a junho de 1982 é uma ferida aberta na memória argentina. O conflito, iniciado pela ditadura de Leopoldo Galtieri para tentar retomar o arquipélago ocupado pelo Reino Unido desde 1833, resultou em derrota e na morte de 649 militares argentinos, tornando a soberania sobre as ilhas uma causa nacional que atravessa gerações.
Atualmente, o território segue sob domínio britânico, com foco em controle estratégico e exploração de recursos naturais. A reivindicação argentina é amparada pela Resolução 2065 da ONU, que reconhece a disputa e exige negociações, opondo-se à política de colonização mantida por Londres na região.
Por isso, o futebol tornou-se um canal de expressão para esse trauma coletivo. Quando Argentina e Inglaterra se enfrentam, o campo transforma-se em um palco de desagravo, onde a torcida busca, na vitória esportiva, um alento simbólico para uma disputa territorial que a diplomacia ainda não conseguiu resolver.
O veto de Milei
Em sintonia com sua política de “desmalvinização”, o governo de Javier Milei apoiou a decisão da Fifa de proibir a entrada de torcedores com bandeiras, camisetas ou qualquer alusão às Malvinas no estádio.
A ministra de Segurança do país, Alejandra Monteoliva, justificou a medida alegando a necessidade de “preservar a ordem” em um jogo considerado de alto risco.
A postura da gestão Milei, que tem evitado fricções diplomáticas com aliados ocidentais em detrimento de uma causa histórica do povo argentino, foi formalizada nesta semana, gerando críticas de diversos setores.
Para a torcida argentina, que tem na memória das Malvinas um dos pilares de seu orgulho nacional, como refletido na música “La Cuarta Estrella”, que embala a seleção nesta Copa, a medida é vista como um novo ataque à soberania e à memória dos jovens mortos pelos ingleses na guerra de 1982.
