Mais de 30 civis morreram e 260 ficaram feridos nos ataques dos Estados Unidos contra o sul do Irã nos últimos dias, segundo o governo iraniano. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, comunicou o número nesta quarta-feira (15) e prestou solidariedade às famílias. Ela afirmou que o sul do Irã é o “coração pulsante” do país e reafirmou o compromisso do governo com a região após os ataques.
“Expressamos nossa solidariedade e condolências às famílias enlutadas, e honramos a memória dos falecidos. O governo estará ao lado do povo com toda a sua força”, diz a mensagem.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que os ataques representam novos “crimes de guerra” dos Estados Unidos contra o Irã. Em publicação no X, ele declarou que o histórico de “crimes” dos Estados Unidos contra o país aumenta diariamente e afirmou que cada novo episódio fortalece a determinação do povo iraniano de buscar justiça e responsabilizar os autores.
Baqaei informou que um posto de proteção ambiental na vila de Seyyed Jowzar, em Hajjiabad, foi atingido e que três integrantes da família do guarda ambiental Javad Hassanzadeh morreram no ataque. O episódio faz parte de uma campanha iniciada em 28 de fevereiro de 2026 por EUA e Israel, com ataques que, de acordo com o governo iraniano, atingiram líderes, crianças, mulheres e homens em Teerã, Minab, Lamerd e outras localidades.
O Irã também acusou Washington de violar o Memorando de Entendimento de Islamabad, assinado em 17 de junho de 2026, que previa a interrupção imediata das operações militares e a busca por uma solução diplomática para o conflito. Em carta enviada à Organização das Nações Unidas (ONU), em 13 de julho, o embaixador iraniano Saeed Iravani pediu que o Conselho de Segurança adote medidas contra as violações do acordo. De acordo com o representante, os ataques militares, a retomada de sanções e outras medidas dos Estados Unidos colocam em risco a paz e a segurança internacional.
Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária Islâmica informou que lançou mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Segundo a corporação, os alvos incluíram centros de comando, centros de logística, sistemas de defesa aérea, instalações ligadas a aeronaves, depósitos de peças e equipamentos militares, tanques de combustível e outras estruturas.
Segundo o comunicado, foram destruídos abrigos que armazenavam caças F-15, F-16 e F-35, além de drones MQ-9. A corporação afirmou que parte das operações militares dos Estados Unidos contra o Irã foi lançada a partir de bases instaladas em território jordaniano e pediu que a população da Jordânia impeça o uso do país para ataques contra nações islâmicas e o povo palestino. Também declarou que a população deve aproveitar todas as oportunidades para “destruir instituições estadunidenses e expulsar o exército de ocupação dos Estados Unidos da Jordânia.”
Em outro comunicado, a Guarda Revolucionária informou que sua Marinha atacou instalações da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein. Segundo a corporação, foram atingidos o centro de gestão NSI, o centro de comando e controle, depósitos de peças e equipamentos militares e instalações de armazenamento de combustível. O Irã afirmou que a operação foi uma resposta ao envio de forças navais dos Estados Unidos ao Oceano Índico e ao bloqueio de rotas marítimas sob a justificativa de controlar o Estreito de Ormuz, medida que, segundo o governo iraniano, afetou as exportações de petróleo e gás da região.
“O inimigo deve saber que, agora que seus piratas bloquearam a rota do Oceano Índico para a exportação do petróleo e do gás da região para o mundo, medida que coloca em risco os interesses dos rivais econômicos dos Estados Unidos, deve esperar que outras rotas de exportação de petróleo e gás que atendem aos interesses dos Estados Unidos e de seus aliados também sejam fechadas”, disse a corporação. Em seguida afirmou que “as exportações de petróleo e gás da região estarão disponíveis para todos ou para ninguém”.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que concluiu uma nova rodada de ataques contra o Irã com duração de 90 minutos. Segundo o órgão, a operação utilizou munições de precisão contra sistemas de defesa costeira e locais de armazenamento e lançamento de mísseis de cruzeiro na ilha de Grande Tunb. Os Estados Unidos afirmaram que a ofensiva teve como objetivo destruir instalações militares costeiras utilizadas para atacar embarcações comerciais e reduzir a capacidade iraniana de atingir navios no Estreito de Ormuz.
