Marcha da Negritude Unificada da Paraíba lança programação do Julho das Pretas 2026 com debates, mobilizações e defesa da reparação histórica

15/07/2026 às 18:430 visualizações
Programação do Julho das Pretas 2026, movimento nacional de mobilização em defesa dos direitos das mulheres negras
Programação do Julho das Pretas 2026, movimento nacional de mobilização em defesa dos direitos das mulheres negras
Brasil de Fato

A Marcha da Negritude Unificada da Paraíba (MNU-PB) inicia nesta sexta-feira (17), às 19h, a programação do Julho das Pretas 2026, movimento nacional de mobilização em defesa dos direitos das mulheres negras. A abertura será realizada por meio de uma live com o tema “Branquitude e Racismo Institucional – Um Risco à Saúde das Mulheres Negras”, transmitida pelo canal Negras e Negros em Marcha na Paraíba, no YouTube.

Neste ano, a agenda tem como tema “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver” e reúne cinco dias de atividades, distribuídas ao longo do mês, entre debates, rodas de conversa, ações culturais, atos públicos e atividades formativas voltadas ao enfrentamento do racismo e das desigualdades sociais.

Segundo a coordenadora do MNU-PB, Marli Soares, a escolha do tema reafirma o compromisso histórico do movimento com a justiça racial e a defesa dos direitos humanos. “Discutir reparação significa reconhecer a responsabilidade histórica do Estado e da sociedade pelas desigualdades raciais produzidas pelo racismo estrutural e também defender políticas públicas que promovam equidade, inclusão e a garantia de direitos”, afirma.

Marli Soares / Arquivo Pessoal
Marli Soares / Arquivo Pessoal
Marli Soares / Arquivo Pessoal

Para a ativista, o conceito de Bem Viver representa um projeto coletivo de sociedade baseado na justiça social, no cuidado, na ancestralidade, na valorização dos territórios, na sustentabilidade e no respeito à diversidade.

Katarina Silva, produtora cultural da Marcha, destaca que a programação busca fortalecer o debate público sobre diferentes formas de violência e discriminação enfrentadas pelas mulheres negras. “A programação fortalece o diálogo sobre o enfrentamento ao racismo, ao sexismo, ao racismo ambiental, à intolerância religiosa e às violações de direitos que atingem de forma desproporcional as mulheres negras.”

Além das discussões, a agenda inclui um ato político (25/07) em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela, celebrado em 25 de julho, data considerada um marco da luta antirracista e feminista na América Latina.

Uyelê Oriki das Pretas

A homenageada do encontro Uyelê Oriki das Pretas é a cantora, compositora e ativista cultural Gláucia Lima. Reconhecida internacionalmente por levar os ritmos tradicionais do Nordeste, como o Coco de Roda, a Ciranda e o Maracatu, para além das fronteiras brasileiras, ela une a força de sua ancestralidade à potência da música negra paraibana, encarnando perfeitamente o espírito do festival. Sua trajetória conecta a arte popular à militância, transformando a música em um instrumento de afirmação de identidade e resgate ancestral.

Cantora Gláucia Lima/ Card Divulgação
Cantora Gláucia Lima/ Card Divulgação
Cantora Gláucia Lima/ Card Divulgação

No dia 26 de julho, a partir das 14h30, o Ateliê Multicultural Elioenai Gomes, localizado no Centro Histórico da capital, será o palco da 9ª edição do evento. Este ano, a grande homenagem celebra a trajetória da artista sob o tema “Na leveza da alma”. 

O evento, que conta com o apoio institucional da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) e recursos da Política Nacional Aldir Blanc, promete reunir artistas, movimentos sociais e a comunidade em uma tarde de saudações, feira de afroempreendedorismo e vivências culturais.

A organização também faz um convite para que entidades da sociedade civil, movimentos sociais, universidades, instituições públicas e a população em geral participem das atividades.

Programação

17 de julho (17/07) – 19h

  • Live: “Branquitude e Racismo Institucional: Um Risco à Saúde das Mulheres Negras”
  • Transmissão pelo canal Negras e Negros em Marcha na Paraíba, no YouTube.
  • 24 de julho (24/07)
  • Roda de conversa: Enfrentamento às Violações dos Direitos das Mulheres Negras: o papel do Estado e da sociedade civil
  • Local: Sala do Conselho da Defensoria Pública da Paraíba (DPE-PB).

25 de julho (25/07)

  • Ato político e panfletagem em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela.
  • Local: Praça Ponto de Cem Réis, Centro de João Pessoa.

26 de julho (26/07)

  • Uyelê Oriki das Pretas
  • Tema: Leveza na Alma
  • Homenageada: cantora Glaucia Lima
  • Local: Ateliê Multicultural Nay Gomes.

28 de julho (28/07)

  • Roda de conversa: Extensão Antirracista na EJA: Pautando o Julho das Pretas
  • Local: Ensino de Jovens e Adultos (EJA/UFPB).
Imagem do artigo

O Julho das Pretas é uma mobilização nacional que reúne organizações do movimento negro e feminista em torno da defesa dos direitos das mulheres negras, do combate ao racismo e da promoção de políticas públicas voltadas à equidade racial e de gênero. Na Paraíba, a agenda é organizada pela Marcha da Negritude Unificada da Paraíba (MNU-PB).

Fonte
Brasil de Fato
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.