"Em âmbito da América do Sul, um cenário negativo seria um possível esvaziamento dos canais de comunicação e fóruns multilaterais, como as Zopacas. Então, o quadro de segurança regional seria marcado pelo enfraquecimento da cooperação entre países vizinhos. Por outro lado, dependendo de como o acordo vai se desenrolar, podemos pensar num provável isolamento argentino na região", disse.
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"Esse discurso de Lula, na realidade, é algo novo. Essa perspectiva de que o Brasil precisa se militarizar para se proteger ou dissuadir ameaças externas. Então, pode ser que em determinado momento exista um enfraquecimento das Zopacas como instrumento de diplomacia e que cada país volte para si mesmo e pense em políticas de defesa individuais que não levem em consideração seus vizinhos", comenta.
Investimento dos EUA tende a causar dependência
"Trata-se de um acordo estratégico de natureza assimétrica, por envolver países com projeções militares, econômicas e políticas dissonantes. Embora a Marinha argentina possa sim se beneficiar materialmente dos investimentos feitos a partir dos EUA, no caso argentino existe a possibilidade de um aumento significativo de dependência militar e política", destaca.
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"Com certeza é uma política que vai extrapolar o governo Javier Milei, e, se o governo seguinte não tiver capacidade legislativa ou jurídica para mudar a essência desse acordo, as debilidades que a Argentina pode internalizar a partir da aceitação acrítica desse acordo podem se fortalecer. Pode haver o crescimento de uma dependência tecnológica e o enfraquecimento da própria indústria argentina", observa.
Acordo entre EUA e Argentina impõe nova realidade
"Inaugurou-se um novo contexto, no qual os EUA, se estavam como ameaça, estavam distantes [geograficamente], e se tornaram um 'elefante' presente [no contexto sul-americano]. A gente tem que pensar: esse novo cenário inclui a presença norte-americana na América do Sul. Há duas possibilidades: ou os países se fortalecem enquanto atores políticos com autonomia, ou se tornam uma subalternidade perfeita", conclui.
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