A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) voltou a acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para contestar uma pesquisa de intenções de voto da AtlasIntel. O levantamento em questão foi divulgado no dia 1º de julho e mostra o presidente Lula (PT) à frente do senador bolsonarista em um eventual segundo turno na disputa pela Presidência da República. O petista aparece com 48,8% das intenções de voto, enquanto o senador registra 42,3%.
O Partido Liberal afirma que o instituto divulgou o relatório registrado sob o número BR 04582/2026 sem apresentar documentos exigidos pela legislação eleitoral e pede que a pesquisa seja considerada irregular, além da aplicação de multa. A AtlasIntel afirma que toda a documentação foi enviada dentro do prazo e atribui o problema a uma falha no sistema do TSE.
A nova ação é a segunda apresentada pelo PL contra pesquisas da AtlasIntel. Em maio, a legenda questionou o levantamento registrado sob o número BR 06939/2026, ao afirmar que o instituto teria induzido os entrevistados a reproduzir um áudio da conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro antes de perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral.
A gravação, divulgada pelo portal Intercept Brasil, mostra o senador pedindo recursos ao dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse” sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a coordenação jurídica da campanha, o método utilizado comprometeu a imparcialidade do levantamento ao apresentar o conteúdo da conversa antes da coleta das respostas.
A pesquisa divulgada naquele mês mostrou Lula à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno para a eleição presidencial de 2026. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente aparecia com 48,9% das intenções de voto, enquanto o senador registrava 41,8%.
Segundo áudios, documentos e mensagens divulgados pelo Intercept Brasil em 13 de maio, US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos em seis operações entre fevereiro e maio de 2025. Em uma mensagem enviada por WhatsApp em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro tentar deixar o país, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Em junho, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, concedeu liminar suspendendo a pesquisa. O processo foi encaminhado ao plenário da Corte, mas o julgamento acabou suspenso após um pedido de vista.
Nova representação
Na nova representação, o PL afirma que a AtlasIntel divulgou a pesquisa sem apresentar o arquivo de complementação territorial e demográfica exigido pela Justiça Eleitoral. Segundo a pré-campanha, também não foram apresentados no prazo legal dados como “a identificação dos municípios e áreas, o número de eleitores pesquisados em cada setor e a composição da amostra por gênero, idade, grau de instrução e nível econômico”.
O partido afirma que esses documentos são obrigatórios porque permitem a fiscalização da pesquisa, com informações sobre os locais pesquisados e o perfil dos entrevistados. Portanto, a legenda pede que o levantamento seja equiparado a uma pesquisa sem registro, que o instituto seja multado e que o Tribunal Superior Eleitoral estabeleça critérios mais rígidos sobre transparência, verificabilidade operacional e auditabilidade das pesquisas eleitorais.
O PL também pede que a Corte altere o entendimento sobre o conceito de coleta de dados para que o período deixe de se limitar ao momento da entrevista e passe a abranger todas as etapas de formação da amostra, incluindo a captação, identificação, recrutamento e seleção dos participantes.
Segundo os advogados da legenda, as pesquisas deveriam ser divulgadas somente “após a disponibilização integral da documentação exigida pela legislação, permitindo que partidos, candidatos, Ministério Público e a própria Justiça Eleitoral tenham condições de verificar se a metodologia registrada foi efetivamente cumprida”.
Na petição apresentada ao TSE, os advogados do partido afirmam que “a pesquisa perdeu sua atualidade, foi sucedida por outras e os dados essenciais mínimos, exigidos por lei para aferição da seriedade e confiabilidade da pesquisa, jamais foram juntados, em comportamento claríssimo de burla à legislação, de opacidade, tudo com o intento de proibir que a sociedade possa ter acesso aos recortes metodológicos mínimos utilizados pelo Instituto de Pesquisa, sem os quais é impossível compreender a confiabilidade mínima do levantamento”.
A AtlasIntel contestou a representação e afirmou que todos os arquivos exigidos pela legislação eleitoral foram enviados ao sistema PesqEle dentro do prazo previsto para o registro da pesquisa, incluindo os documentos referentes aos bairros e municípios contemplados na amostra. Segundo a empresa, as evidências apontam para um problema de natureza técnica relacionado ao sistema do TSE.
Em nota, a empresa afirma que “embora o arquivo tenha sido corretamente enviado e permaneça disponível na área restrita do sistema, ele deixou de aparecer na visualização pública do registro, comportamento incompatível com o funcionamento esperado da plataforma”.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, também afirmou nas redes sociais que a impugnação apresentada pela equipe de Flávio Bolsonaro “está fundamentada em um erro do sistema do TSE”. Segundo ele, “o arquivo de detalhamento geográfico de municípios e bairros foi devidamente submetido dentro do prazo legal. […] A AtlasIntel não mudará sua técnica nem alterará seus estudos por conta de qualquer tipo de pressão política, econômica ou judicial”.
Segundo integrantes da pré-campanha, a pesquisa Genial Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) também não anexou toda a documentação ao sistema do TSE. A equipe afirma que poderá contestar o levantamento caso o instituto não apresente a complementação dos dados dentro do prazo previsto na legislação eleitoral. O levantamento da Genial Quaest mostrou Lula com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra 37% de Flávio Bolsonaro.
