
Com objetivo de viabilizar apoio financeiro para projetos conduzidos por pessoas indígenas da comunidade USP, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) publicou o Edital PRIP nº 02/2026. Estudantes de graduação, mestrado, doutorado e docentes indígenas, em qualquer área do conhecimento, podem submeter projetos de cultura, extensão universitária, ensino e pesquisa para solicitação de financiamento.
As inscrições estão abertas até o dia 20 de julho e os candidatos devem encaminhar suas propostas e os documentos necessários por meio do formulário. A iniciativa, que ocorre desde 2023, tem a função de dar visibilidade e oportunidade à comunidade indígena dentro da USP, independentemente da especialidade.

“Quando a PRIP foi criada em 2022, ficou clara a ausência de políticas específicas para a comunidade indígena. E o que nós podemos fazer é potencializar aqueles que já conseguiram romper a barreira e entrar na USP”, afirma Renato Cymbalista, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) e diretor de Direitos Humanos e Políticas de Memória, Justiça e Reparação da PRIP.
O edital deste ano poderá contemplar até dez projetos, com limite máximo de apoio de R$ 30.000,00 para cada um. Nos editais anteriores, sobraram recursos disponíveis devido ao baixo número de inscritos. Renato comenta que essa baixa demanda reflete a baixa presença indígena na Universidade, que apesar da adoção de cotas PPI, ainda não tem uma política específica para o acesso indígena.
De acordo com dados do Anuário Estatístico da USP, um censo que reúne informações demográficas e acadêmicas da Universidade, considerando estudantes de graduação, pós-graduação, docentes e servidores técnicos e administrativos, menos de 1% da comunidade USP se autodeclara indígena.
Um dos projetos já contemplados pela iniciativa foi o seminário “Presença e ausência indígena na USP”, proposto por Emerson Souza, com orientação e supervisão da professora Fernanda Mendonça Pitta, do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. O seminário resultou em um documento que hoje fundamenta um grupo de trabalho da PRIP voltado à permanência indígena na USP. A Pró-Reitoria de Graduação, responsável pelas políticas de ingresso, também está executando um grupo de trabalho, mas para o acesso indígena, questão mais importante no momento do ponto de vista de Renato.
O edital
Os docentes indígenas podem inscrever projetos sob sua responsabilidade, sendo ele proponente e também responsável institucional pela proposta. Estudantes de graduação ou pós-graduação devem inscrever seus projetos sob supervisão de um docente, sendo o estudante o proponente e o docente o responsável institucional.
As inscrições passarão por uma comissão de verificação da qualificação de pessoa indígena do proponente. A qualificação seguirá a definição deliberada pelo Conselho de Inclusão e Pertencimento em sua 9ª Sessão, de 4 de maio de 2023, acompanhada de documentação comprobatória. Candidatos que já foram aprovados por comissão de verificação da USP em situações anteriores poderão anexar comprovante, sem necessidade de outra submissão de documentação.
Os projetos não necessariamente precisam pesquisar temáticas indígenas. Os pesquisadores podem apresentar perspectivas inovadoras de construção de conhecimento em todas as áreas, e também podem apresentar projetos em andamento para solicitar de recursos complementares.
Uma comissão de seleção e avaliação que irá analisar e eleger os projetos contemplados para recebimento dos recursos financeiros. Como critérios de avaliação, serão considerados a viabilidade de realização dos projetos com os recursos disponíveis e o potencial deles em gerar impactos positivos e deixar legados para a comunidade da USP e para a sociedade.
A lista dos projetos selecionados será divulgada no dia 12 de agosto de 2026 na página da PRIP. Para mais informações consulte o edital e a página.
*Estagiária sob orientação de Silvana Salles





