Nova técnica de edição genética amplia possibilidades e reacende debate ético

Por Marcia Avanza16/07/2026 às 13:500 visualizações
Mayana Zatz - Decodificando o DNA
Mayana Zatz - Decodificando o DNA
Jornal da USP
🎙 Marcia Avanza · Jornal da USP

Tecnologia de “prime editing” promete corrigir mutações hereditárias com maior precisão em embriões, mas especialistas alertam para riscos de uso inadequado e preocupações com a eugenia

 Publicado: 16/07/2026 às 10:50

Imagem do artigo

Imagem do artigo

Uma nova pesquisa publicada na plataforma BioRxiv, ainda sem revisão por pares, apresenta avanços na edição genética de embriões por meio da tecnologia conhecida como prime editing. Segundo a professora Mayana Zatz, a técnica representa um importante passo para a correção de mutações responsáveis por doenças hereditárias, por permitir alterações mais precisas no DNA e reduzir os riscos observados em métodos anteriores.

Apesar do potencial terapêutico, o avanço reacende discussões éticas. Bioeticistas temem que a tecnologia possa extrapolar o tratamento de doenças e ser utilizada para tentar modificar características físicas ou cognitivas dos futuros indivíduos. O debate é reforçado pelo histórico do cientista chinês He Jiankui, que editou genes de embriões para torná-los resistentes ao HIV, experiência amplamente condenada pela comunidade científica devido aos riscos imprevisíveis das alterações genéticas.

Mayana explica que o prime editing já demonstrou resultados promissores em genes relacionados ao controle do colesterol e a doenças hematológicas, como anemia falciforme e talassemia. Ainda assim, persistem desafios técnicos, como o chamado mosaicismo, situação em que apenas parte das células recebe a edição genética, comprometendo a eficácia do tratamento, sobretudo em indivíduos adultos.

A pesquisadora destaca que a edição de embriões poderia beneficiar casais que não conseguem obter, por fertilização assistida, embriões livres de mutações graves. “A possibilidade de alterar o gene defeituoso, ao invés de descartar os embriões com esses genes, seria fantástico”, afirma Mayana Zatz. Ao mesmo tempo, ela ressalta que a criação de “bebês sob medida” permanece inviável com o conhecimento científico atual, já que características como inteligência e aptidão esportiva dependem da interação de inúmeros genes com fatores ambientais.


Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

.


Imagem do artigo
Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.

Fonte
Jornal da USP
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.