O Irã acusou os Estados Unidos de cometerem “crime de guerra” por conta do bombardeio às imediações de um hospital pediátrico especializado em câncer em Ahvaz, no sudoeste do país. O ataque, feito na última quarta-feira (15), levou 211 pacientes em tratamento, a maioria crianças, a se retirarem às pressas do local.
“Este ataque bárbaro, que faz lembrar as atrocidades cometidas por Israel contra instalações de saúde, causou grande sofrimento e ansiedade às crianças hospitalizadas e exigiu a retirada de emergência de 211 pacientes em tratamento de quimioterapia”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghai, em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (16).
O ataque foi feito logo após o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciar a segunda onda de bombardeios do dia contra o território iraniano. Segundo informações da agência Fars, os projéteis caíram nas proximidades da unidade hospitalar.
“Aqueles que pregam incessantemente os direitos humanos, mas fecham deliberadamente os olhos aos ataques contra hospitais e centros de saúde, perderam toda a credibilidade moral”, salientou Baghai.
O diretor da unidade hospitalar, Reza Bazar, explicou à rede catari Al Jazeera que, embora a estrutura tenha sido danificada, não há relatos de vítimas.
O Centcom (Comando Central dos Estados Unidos) se pronunciou sobre os ataques ao território iraniano, mas não mencionou o caso no hospital. “Os ataques miram capacidades militares iranianas usadas para ameaçar embarcações que transitam livremente pelo Estreito de Ormuz, uma via internacional vital para o comércio global”, escreveu o órgão nas redes sociais.
Nas últimas semanas, o já precário memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos foi abandonado. Desde então, os dois países têm bloqueado as rotas no Estreito. O Irã, que afirma estar em guerra “existencial” contra os Estados Unidos, segundo palavras do presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, tem mirado instalações militares estadunidenses no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia.
O episódio da última quarta-feira (15) não é o primeiro de um ataque dos EUA a estruturas voltadas para o uso de crianças. No dia 28 de fevereiro deste ano, um ataque estadunidense à escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, matou 168 pessoas. Segundo autoridades iranianas, a maioria era crianças.
