Disputa à reeleição predomina no Distrito Federal; seis parlamentares buscam cargos maiores

Por Ana Gonçalves16/07/2026 às 18:290 visualizações
Disputa eleitoral no DF em 2026 deve refletir atual correlação de forças e aprofundar divisões políticas.
Disputa eleitoral no DF em 2026 deve refletir atual correlação de forças e aprofundar divisões políticas.
Foto: | / Brasil de Fato

A maior parte dos parlamentares do Distrito Federal deve disputar a reeleição em 2026, tanto no Congresso Nacional quanto na Câmara Legislativa (CLDF). O cenário também inclui pré-candidaturas ao Senado e tentativas de alçar novos cargos, indicando uma tendência de continuidade com rearranjos pontuais na política local.

Atualmente, o DF conta com oito vagas na Câmara dos Deputados e três cadeiras no Senado Federal, sendo duas em disputa em 2026. Dos oito deputados federais, seis devem tentar permanecer nos cargos. Erika Kokay (PT) e Bia Kicis (PL), anunciaram intenção de concorrer ao Senado.

No âmbito do legislativo, a CLDF dispõe de 24 cadeiras. Segundo levantamento do Brasil de Fato DF, apenas quatro não devem concorrer à reeleição. Fabio Felix (Psol), Thiago Manzoni (PL) e Daniel Donizet (MDB) vão pleitear uma vaga para deputado federal. Já Paula Belmonte (PSDB) é pré-candidata ao Governo do Distrito Federal (GDF).

Senado no radar

No Senado Federal, a disputa deve ocorrer em um ambiente de maior polarização no DF com as atuais deputadas federais Erika Kokai (PT) e Bia Kicis (PL) postulantes ao cargo.

Em entrevista recente ao Brasil de Fato DF, Kokay defendeu a aprovação do PL da Misoginia, que criminaliza condutas motivadas pelo ódio contra mulheres. Tema que enfrenta resistência da extrema direita na Câmara.

Já Kicis é uma das autoras do projeto que dificulta o aborto legal em crianças vítimas de abuso sexual. Além disso, ela atrasou a PEC da redução da jornada de trabalho na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). 

Diferentemente da Câmara Legislativa, onde predomina a tendência de continuidade, a corrida pelo Senado costuma atrair candidaturas com maior projeção e articulação política. As vagas em jogo concentram esforços de diferentes campos políticos para projetar nomes com trânsito nacional.

As eleições para o Senado em 2026 ganham ainda mais relevância por influenciarem diretamente a correlação de forças no Congresso Nacional. É a Casa responsável por decisões estratégicas, como a análise de indicações para tribunais superiores e o julgamento de autoridades.

Para a advogada e analista política Talita Victor Silva, a disputa colocada é entre dois projetos distintos de país. “Se a direita trabalha para eleger mulheres conservadoras comprometidas com sua agenda de retrocessos, faz sentido que o campo democrático também construa uma estratégia comum capaz de disputar as duas vagas, em todos os estados e no DF”, analisou em artigo publicado no Brasil de Fato DF

Dos atuais representantes da capital no Senado, Leila Barros (PDT), que representa o campo democrático, e Izalci Lucas (PL), de extrema direita, são cotados para tentar a reeleição. O ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) desistiu da pré-candidatura em meio às investigações sobre as operações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Eleição deste ano vai renovar 54 dos 81 cadeiras do Senado |
Eleição deste ano vai renovar 54 dos 81 cadeiras do Senado | — Marcos Oliveira/Agência Senado
Eleição deste ano vai renovar 54 dos 81 cadeiras do Senado | Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

Maioria deve tentar novo mandato

Na CLDF, o cenário para 2026 indica uma tendência de continuidade. A maioria dos atuais 24 deputados distritais articula a permanência na Casa, apoiada em bases eleitorais já estruturadas.

Levantamento do Brasil de Fato DF aponta que nomes como Chico Vigilante (PT), Gabriel Magno (PT), Max Maciel (Psol), Ricardo Vale (PT) e Dayse Amarilio (PSB) já indicam a intenção de permanecer na Casa. O mesmo movimento é observado entre parlamentares de diferentes campos políticos, entre eles, Hermeto (MDB), Jaqueline Silva (MDB), Joaquim Roriz Neto (PL), Doutora Jane (MDB) e Eduardo Pedrosa (União).

Ao mesmo tempo, alguns nomes conhecidos da política local articulam voos mais altos, para além da Câmara Legislativa. É o caso de Fábio Felix (Psol), Daniel Donizet (MDB) e Thiago Manzoni (PL), apontados como possíveis candidatos à Câmara dos Deputados, mirando a ampliação de sua atuação política no plano nacional.

Lei do BRB

A configuração política da CLDF atualmente reflete uma maioria de parlamentares alinhados ao governo Celina Leão (PP). Um termômetro da atual legislatura ocorreu na votação que autorizou a recapitalização do Banco de Brasília (BRB) depois de operações com o Banco Master e investigações envolvendo ex-dirigentes.

Encampada pelo governo Ibaneis Rocha/Celina Leão, a proposta mobilizou a base aliada e encontrou forte resistência da oposição, em um debate sob críticas pela falta de transparência e fiscalização para a operação estimada em R$ 6,6 bilhões.

Na prática, o placar da Lei do BRB mostrou a configuração política na CLDF, que deve se manter como referência na disputa eleitoral de 2026.

Veja como votou cada deputado distrital:

Votaram contra (NÃO): Chico Vigilante (PT), Dayse Amarílio (PSB), Fábio Felix (Psol), Gabriel Magno (PT), Jorge Vianna (PSD), Max Maciel (Psol), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Vale (PT) e Rogério Morro da Cruz (PRD).

Votaram a favor (SIM): Eduardo Pedrosa (União), Hermeto (MDB), Iolando (MDB), Jaqueline Silva (MDB), Joaquim Roriz Neto (PL), Martins Machado (Republicanos), Pastor Daniel de Castro (PP), Pepa (PP), Robério Negreiros (Podemos), Roosevelt Vilela (PL) e Wellington Luiz (MDB).

Abstenção e voto: Doutora Jane (MDB)


Apoie a comunicação popular no DF:

Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304–0102

Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.

Fonte
Brasil de Fato
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.