Líder do governo rebate Flávio Bolsonaro sobre responsabilidade por tarifaço de Trump e acusa senador de etarismo

16/07/2026 às 18:180 visualizações
A senadora Teresa Leitão (PT)
A senadora Teresa Leitão (PT)
Brasil de Fato

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), rebateu nesta quinta-feira (16) as declarações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que voltou a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota, a parlamentar afirmou que o senador “agrega à sua falácia política um agressivo e desrespeitoso preconceito etário contra o presidente Lula”.

“Ressalto, ainda, que o filho de Bolsonaro agrega à sua falácia política um agressivo e desrespeitoso preconceito etário contra o presidente Lula. Liderança, carisma, capacidade de articulação, visão estratégica e compromisso com o povo são atributos construídos ao longo de uma trajetória política. É isso que marca a história do presidente Lula: 80 anos dedicados à vida pública e à defesa do povo brasileiro”, afirmou Teresa Leitão.

Flávio publicou críticas nas redes sociais após a confirmação do tarifaço pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Ao comentar a medida, o senador comparou Lula ao ex-presidente dos EUA Joe Biden e afirmou que o petista seria um presidente “ranzinza, inconsequente” e “um perigo para a nossa nação”.

Na resposta, Teresa Leitão afirmou que o governo brasileiro percorreu “todo o caminho necessário” para evitar a medida por meio do diálogo, da negociação e da diplomacia. Segundo a senadora, diante da ausência de justificativa técnica, fica evidente que a sobretaxa foi motivada por razões políticas e “incentivada pela atuação sistemática e pública de Flávio Bolsonaro”, a quem acusou de trabalhar contra os interesses do próprio país.

“Quando não há justificativa técnica para uma decisão dessa natureza, resta evidente que ela é movida por razões políticas. Neste caso, é notório que a medida foi incentivada pela atuação sistemática e pública de Flávio Bolsonaro, que trabalha contra os interesses do próprio país, em uma tentativa de dispersar a atenção sobre suas condutas ilícitas, amplamente divulgadas pela imprensa brasileira”, diz a nota.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), também reagiu às declarações de Flávio Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o senador tenta transferir ao governo a responsabilidade pelo tarifaço para desviar a atenção das investigações envolvendo o Banco Master. “As declarações de Flávio Bolsonaro culpando o presidente Lula pelo tarifaço revelam o seu desespero com o escândalo do Banco Master”, escreveu.

Guimarães também acusou a família Bolsonaro de atuar em favor dos interesses do governo estadunidense. “Flávio Bolsonaro é um traidor da pátria, que conspira contra o seu próprio país. Em vez de defender o Pix, a economia nacional, os empregos e os trabalhadores brasileiros, prefere atuar como vassalo dos interesses econômicos dos EUA no Brasil”, afirmou.

O ministro ainda relembrou episódios envolvendo Eduardo Bolsonaro e aliados, como articulações por sanções contra autoridades brasileiras, manifestações de apoio às tarifas impostas por Donald Trump e declarações contrárias às negociações entre Brasília e Washington.

Além da tentativa de vincular o tarifaço ao presidente Lula, Flávio Bolsonaro também compartilhou uma mensagem do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na qual o estadunidense afirma que as políticas do governo brasileiro são “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros” e acusa Lula de não negociar “de boa-fé” com o governo do país norte-americano.

‘Falsas afirmações’

Na tarde desta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota em resposta às declarações de Rubio. O Itamaraty classificou as afirmações como “inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros” e afirmou que ele utilizou “falsas afirmações” sobre o empenho do Brasil em negociar.

“Além de usar falsas afirmações sobre o empenho brasileiro em negociar, o secretário Marco Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo, que se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”, afirmou o ministério.

O Itamaraty também respondeu à declaração de Rubio de que Lula teria colocado o “ego” acima dos interesses do país. “O que Rubio chama de ego nada mais é do que a convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e de nossos trabalhadores”, diz a nota.

Mais cedo, o governo federal já havia classificado a decisão dos Estados Unidos como um “marco lastimável” na relação entre os dois países e anunciado que recorrerá à Lei da Reciprocidade Econômica. Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que atuou durante todo o último ano junto ao USTR para tentar encerrar a investigação comercial que deu origem à sobretaxa, rebatendo as alegações de Washington sobre o Pix, a regulação das plataformas digitais e a política ambiental brasileira.

A investigação do USTR, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, foi aberta há cerca de um ano para apurar supostas barreiras comerciais impostas pelo Brasil.

Maioria responsabiliza Flávio Bolsonaro

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira mostrou que a maioria dos brasileiros atribui a Flávio Bolsonaro a responsabilidade pelo tarifaço.

Questionados sobre quem teria motivado o tarifaço, se Flávio Bolsonaro ao pedir a Trump a sanção contra o Brasil, como afirma Lula, ou se o próprio Lula ao provocar os Estados Unidos, como alega Flávio, 51% disseram concordar com a versão de Lula. Outros 30% afirmaram concordar com Flávio Bolsonaro e 19% não souberam ou não responderam.

Quando perguntados sobre a razão das tarifas, 49% responderam concordar com Lula de que a medida representa uma retaliação ao Pix. Outros 33% concordaram com Flávio Bolsonaro de que as tarifas são resultado das declarações de Lula contra os Estados Unidos. Outros 10% responderam que não concordam com nenhum dos dois e 8% não souberam ou não responderam. Em junho, os percentuais eram de 46%, 36%, 10% e 8%, respectivamente.

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, antes da confirmação da sobretaxa de 25% pelo governo estadunidense.

Fonte
Brasil de Fato
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