Pressão dos EUA ocorreria mesmo sem eleições, porque Lula não cede a Trump, afirma analista

Por Lucas Krupacz16/07/2026 às 20:350 visualizações
Encontro de Lula e Trump na Casa Branca, em 7 de maio
Encontro de Lula e Trump na Casa Branca, em 7 de maio
Brasil de Fato

Os Estados Unidos confirmaram, no final da noite de quarta-feira (15), a taxação de 25% sobre produtos brasileiros e seguem utilizando como argumento oficial o equilíbrio da balança comercial. Contudo, já é amplamente conhecida a informação de que os EUA têm uma relação comercial superavitária com o Brasil, ou seja, vendem mais do que compram.

O governo brasileiro, por sua vez, acionou a Lei de Reciprocidade e, em nota, classificou a decisão de “marco lastimável” nas relações com os EUA. Afirmou que “não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país” e informou que recorrerá ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para a analista internacional Ana Carolina Marson, a medida é mais uma tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de se impor e deixa evidente a impossibilidade de diálogo. “Vemos que é um presidente que não quer negociar. Ele segue afirmando que a balança comercial dos EUA é desfavorável, o que é mentira. Nós vemos que Trump tenta de todas as formas se impor nessa relação comercial. Tanto que ele acionou a seção 301, porque já tinha tentado impor tarifas contra diversos países anteriormente e isso foi derrubado pela Suprema Corte. Não existe embasamento para a tarifa”, define em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Ana Carolina Marson avalia que a politização do debate não é exclusividade desse episódio e, mesmo que Lula não estivesse como pré-candidato à reeleição, esse tipo de pressão aconteceria. “Lula é uma figura que se impôs sempre, tentando contrapor Trump. Seja na questão do Irã, de Gaza, seja no próprio tarifaço. Ele mantém os canais diplomáticos abertos, mas em momento algum ele cede como Donald Trump gostaria que cedesse”, considera.

Para Marson, Trump chantageia o Brasil com taxação porque gostaria de restringir elementos da sociedade brasileira sobre os quais não tem poder. “O Pix, que ele não aceita porque, de acordo com ele, influencia as empresas de pagamento eletrônico dos EUA. Ele também fala das plataformas sociais, que, é claro, devem ser reguladas pelas leis de cada país”, enumera.

A analista internacional lembra que muitos produtos considerados essenciais para a economia brasileira ficaram de fora da taxação de 25%, o que prova, mais uma vez, o efeito político que Trump deseja.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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