Nos últimos dias, a proposta de federalização do hospital regional de Teófilo Otoni ganhou repercussão nas redes sociais após vídeo divulgado pelo vereador da cidade João Gabriel Prates (PT), defendendo que a União assuma a gestão da unidade para garantir sua abertura e consolidar a estrutura hospitalar como hospital universitário.
Hospital será referência para 57 municípios
Após anos de atrasos na entrega dos hospitais regionais prometidos pelo Governo de Minas Gerais, o vereador defende que o Hospital Regional da cidade seja federalizado para garantir sua plena abertura e funcionamento.
A proposta surge em meio ao cenário de dificuldades enfrentadas pelo Estado para colocar em operação os hospitais regionais anunciados durante a gestão do governador Romeu Zema. Dos seis hospitais previstos, apenas duas unidades entraram em funcionamento por modelos diferentes da gestão direta do Estado, incluindo parcerias com a União e concessões à iniciativa privada, por meio da filantropia.
Em Teófilo Otoni, cidade polo dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha, onde está localizado o maior vazio assistencial de Minas Gerais, a preocupação é que o prédio permaneça pronto, mas sem capacidade operacional para atender a população da macrorregião Nordeste do estado, sobretudo diante do atual estado das finanças públicas do estado de Minas Gerais.
A proposta de federalização tem como referência experiências semelhantes, como a do Hospital Regional de Divinópolis, recentemente incorporado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) – atual HU Brasil, vinculada ao governo federal. Segundo João Gabriel, a presença da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que possui curso de Medicina em Teófilo Otoni, cria as condições para um modelo semelhante.
Sem prazo para o pleno funcionamento
Um documento da Secretaria Municipal de Saúde que detalha a estrutura prevista para o funcionamento do Hospital Regional informa que a implantação ocorrerá de forma escalonada e prevê serviços de alta complexidade em neurologia e traumatologia, centro especializado para atendimento ao AVC, cirurgias gerais e ginecológicas, UTI adulto e neonatal, centro de tratamento de queimados, maternidade, centro de parto normal, além de exames como tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia, endoscopia e colonoscopia.
Segundo o documento, o hospital será referência regional do Sistema Único de Saúde (SUS), atendendo os 57 municípios da Macrorregião Nordeste de Saúde de Minas Gerais. Também está previsto que a unidade não funcione como hospital de porta aberta, recebendo pacientes encaminhados pela rede regionalizada.
Em 18 de junho, o governador Mateus Simões (PSD) promoveu uma espécie de “inauguração” do hospital, com o início da realização dos exames de imagem. Contudo, não há um cronograma definido para a implantação dos demais serviços, tão necessários para desafogar a rede de saúde na região.
Para João Gabriel, a discussão precisa deixar de ser apenas sobre a inauguração do prédio e passar a considerar a capacidade de manter os serviços funcionando de forma permanente. “O hospital atualmente conta apenas com o serviço de imagem, com o médico dando laudo lá de Belo Horizonte. É muito pouco para uma estrutura gigantesca como esta”, afirma.
Carlos Daniel Borges é jornalista.
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