Já a projeção do banco Goldman Sachs aponta que a tarifa efetiva sobre os produtos brasileiros chegará a 16,8%, superando Peru (8,5%), México (7,2%) e Argentina (7,1%).
Embora a alíquota anunciada seja de 25%, o percentual efetivo é menor porque parte das exportações brasileiras ficou fora da medida.
A instituição norte-americana também considera possível que Brasília adote medidas pontuais de retaliação comercial, embora ressalte que uma resposta mais dura poderá provocar novas sanções por parte dos Estados Unidos.
Os impactos da medida também foram dimensionados pela CNI. Segundo a entidade, cerca de 4 mil produtos brasileiros passarão a ser atingidos pela tarifa adicional, colocando em risco 26% de toda a pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 11 bilhões (R$ 56 bilhões).
A CNI observa, entretanto, que a lista final divulgada pelo governo norte-americano preservou diversos produtos inicialmente ameaçados, reduzindo em cerca de US$ 2,3 bilhões (R$ 11,3 bilhões) as perdas estimadas para a indústria brasileira.
Para a entidade, esse resultado reflete, entre outros fatores, a atuação de representantes do setor produtivo brasileiro e norte-americano durante as consultas e audiências públicas realizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Mesmo com as exceções, alguns segmentos deverão sofrer impactos expressivos, a exemplo do setor madeireiro, em que 81% das exportações para os Estados Unidos estarão submetidas à nova tarifa. Também serão afetados 51% dos produtos químicos e 38% dos alimentos destinados ao mercado norte-americano.
Outro dado destacado pela CNI é que cerca de 60% dos produtos atingidos são bens intermediários utilizados pela própria indústria dos Estados Unidos, enquanto o Brasil ocupa a posição de principal fornecedor em 10 dos 13 principais itens incluídos na medida.
Tarifa foi anunciada após investigação comercial
A tarifa adicional de 25% foi anunciada na noite de quarta-feira (15) pela Casa Branca, poucas horas antes do fim do prazo estabelecido pelo USTR para concluir a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
A decisão foi detalhada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante uma teleconferência com jornalistas promovida pela Casa Branca.
A investigação concluiu que o Brasil adota práticas consideradas restritivas ao comércio norte-americano em temas como o sistema de pagamentos Pix, o comércio digital, o acesso ao mercado de etanol, a propriedade intelectual e decisões envolvendo plataformas digitais.
O governo brasileiro afirmou que as acusações não encontram respaldo nas regras multilaterais do comércio. Em nota divulgada após o anúncio, o Planalto classificou a medida como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países, anunciou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e retomará a discussão no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Executivo também reiterou que o Pix é uma infraestrutura pública aberta à participação de empresas nacionais e estrangeiras, classificou como "descabidas" as alegações norte-americanas contra o sistema de pagamentos e afirmou que buscará ampliar a diversificação de mercados para reduzir a dependência das exportações brasileiras em relação aos Estados Unidos.



