Como ações agressivas dos EUA fazem China e Índia se reaproximarem? Analista explica (VÍDEOS)

16/07/2026 às 12:520 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Nesse sentido, conforme explica Eduardo Mangueira, doutorando em relações internacionais, em entrevista à Sputnik Brasil, há um processo de reaproximação entre as duas potências asiáticas, principalmente por conta de ações instáveis e contraditórias dos EUA, como um ataque no Indo-Pacífico que vitimou marinheiros indianos.

"A morte desses três marinheiros ocorreu após um ataque dos EUA a um navio que transportava petróleo no contexto do bloqueio durante a guerra [dos EUA contra o Irã]. Além de não ter havido pedido de desculpas [dos EUA], isso se soma a outras questões, como a Operação Sindoor e os ataques [indianos] ao Paquistão. Donald Trump tentou assumir o crédito por alcançar a paz, uma postura que a Índia viu com péssimos olhos, além das tarifas [taxações impostas por Washington]", disse.

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Nesse contexto, embora a Índia também tenha os EUA como parceiro estratégico, inclusive no âmbito militar, já que os dois países integram o QUAD, junto com Austrália e Japão, com atuação no Indo-Pacífico, abre-se espaço para uma reaproximação entre os governos indiano e chinês, como pontua Mangueira.

"Os EUA têm agido de forma cada vez mais errática, o que leva esses dois países a uma reaproximação. O ponto é que as relações entre Índia e China são bastante complexas. Então, a competição não desaparece, mas essa reaproximação é importantíssima, principalmente como uma sinalização da Índia em relação aos Estados Unidos", comenta.

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Relação entre Pequim e Nova Deli é estratégica

O pesquisador, que recentemente publicou um artigo sobre o tema no Boletim Geocorrente do Núcleo de Avaliação da Conjuntura da Escola de Guerra Naval (NAC/EGN), assinala que o diálogo entre China e Índia é movido por um pragmatismo capaz de mitigar as divergências geopolíticas latentes em prol de uma agenda comum.

"Existe sim uma reaproximação que vai entrar em diversas questões, principalmente no BRICS, e há o fato de que, entre Índia e China, os conflitos conseguem ser deixados de lado. A China continua sendo o maior parceiro comercial da Índia, mesmo em momentos de tensões tão grandes como os pós-2020. Nesse sentido, existe a possibilidade de engajamentos mais próximos, principalmente a nível econômico", destaca.

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O analista também relembra que um dos pontos que ilustram esse movimento de maior interação entre os dois Estados aconteceu na Reunião de Conselheiros de Segurança do BRICS. Na ocasião, o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, anfitrião do evento, recebeu o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, com ambos os lados observando um "progresso em direção à normalização gradual dos laços".

"O encontro [entre os Conselheiros de Segurança] no contexto da reunião do BRICS é um indicativo entre Índia e China. Não sei se podemos dizer aliados, mas é inegável que uma aproximação estratégica tem acontecido. Já há viagens diretas entre Índia e China, e isso acaba sendo muito importante para essas trocas e relações ainda mais próximas", observa.

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Interdependência é um elo chave no eixo sino-indiano

Tanto o aspecto comercial quanto o tecnológico são fundamentais para que os laços entre Pequim e Nova Deli se mantenham fortes, apesar das adversidades. Conforme elucida Eduardo Mangueira, embora haja um esforço de maior autonomia por parte indiana, o país ainda depende da China para avançar.

"Existe na Índia uma preocupação em permitir o acesso chinês a tecnologias críticas, porque eles dependem da China comercialmente. Até o movimento Atmanirbhar Bharat [Índia Autossuficiente] percebeu que ainda se precisa da China para se desenvolver. Vejo uma aproximação tecnológica acontecendo, mas não como algo que os indianos gostariam que acontecesse, e sim no sentido de que vai acontecer", conclui.

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A relação entre as nações é baseada, prioritariamente, nos interesses nacionais de cada parte. Dessa forma, alianças consideradas estáveis podem ser alteradas, dando lugar a novas configurações a partir de necessidades emergentes. O caso de China e Índia demonstra que a atual conjuntura de um mundo multipolar faz o pragmatismo prevalecer.
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