A classe trabalhadora tem pressa: o fim da escala 6×1 não pode ser engavetado pelo Senado

Por Paulo Sérgio Farias17/07/2026 às 12:010 visualizações
Em manifestação em Copacana, homem negro posa ao lado de uma placa de fundo verde clara em que está escrito 'mais tempo para viver' em destaque e na sequência estão mais saúde, mais lazer, mais família, mais dignidade
Em manifestação em Copacana, homem negro posa ao lado de uma placa de fundo verde clara em que está escrito 'mais tempo para viver' em destaque e na sequência estão mais saúde, mais lazer, mais família, mais dignidade
Brasil de Fato

A aprovação do fim da escala 6×1 pela Câmara dos Deputados representou um sopro de esperança para milhões de brasileiros que vivem sob o regime da exaustão física e mental. Contudo, essa histórica conquista social encontra-se paralisada propositalmente em um labirinto burocrático no Senado Federal por decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Há quase dois meses, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) aguarda um simples despacho do presidente para começar a tramitar formalmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Cada dia de atraso nessa canetada institucional custa a saúde e a dignidade de quem move as engrenagens da nossa nação.

Como presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio de Janeiro (CTB-RJ), falo em nome de uma base que não aceita mais ser tratada como mera estatística de produtividade.

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O argumento de que o Senado não deve ser um “carimbador” da Câmara é legítimo, mas transformá-lo em uma barreira de procrastinação é inaceitável. Enquanto a presidência da Casa sinaliza debates e estuda propostas alternativas sob forte pressão do setor patronal, os trabalhadores enfrentam rotinas extenuantes, com apenas uma folga semanal e o adoecimento crônico por burnout, depressão e problemas cardiovasculares.

A alegação de que a redução da jornada para 40 horas semanais, sem perda salarial, destruirá a economia é o mesmo discurso alarmista de sempre. Ouvimos as mesmas ameaças quando lutamos pelo 13º salário, pelas férias remuneradas e pela licença-maternidade.

A experiência global e dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram o oposto: jornadas mais humanas geram trabalhadores mais motivados, eficientes e saudáveis. Reduzir a jornada significa mais tempo para o estudo, para a família, para o descanso e para o convívio comunitário.

O trabalho deve emancipar e dignificar, nunca aprisionar. Alcolumbre anunciou o calendário de esforços concentrados para após o recesso parlamentar, sinalizando que a discussão da PEC pode ficar para depois das eleições de outubro.

A classe trabalhadora não aceita que seus direitos fundamentais fiquem reféns de conveniências ou calendários partidários. Não há espaço para recuos ou para “PEC alternativas” que flexibilizem contratos individuais e precarizem ainda mais a vida laboral.

A CTB e o movimento sindical brasileiro exigem compromisso com quem acorda antes do sol nascer e enfrenta horas de transporte público lotado.

Senador Davi Alcolumbre, tire a PEC da gaveta e despache-a para a CCJ imediatamente e a leve ao plenário. O tempo da nossa gente não acompanha a lentidão dos gabinetes de Brasília. O fim da escala 6×1, a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salários é uma urgência histórica, e o Senado precisa pautar essa transformação agora.

*Paulo Sérgio Farias é presidente da CTB-RJ

**Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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