Aos 100 anos, morre Elza Berquó, pioneira da demografia no Brasil

17/07/2026 às 18:350 visualizações
Mulher idosa de cabelo curto, vestida com um casaco vermelho por cima de uma roupa preta. Ao fundo, um jardim com plantas.
Mulher idosa de cabelo curto, vestida com um casaco vermelho por cima de uma roupa preta. Ao fundo, um jardim com plantas.
Jornal da USP

Professora Emérita da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, a pesquisadora institucionalizou os estudos populacionais no País e deixou sua marca na formação de demógrafos e na formulação de políticas públicas de saúde e gênero

 Publicado: 17/07/2026 às 15:35
Elza Berquó –
Elza Berquó – — Divulgação/Eduardo Nobre
Elza Berquó – Foto: Divulgação/Eduardo Nobre

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Faleceu na quinta-feira (16), aos 100 anos, a demógrafa Elza Salvatori Berquó, Professora Emérita da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Pioneira nos estudos de fecundidade, transição demográfica e saúde reprodutiva, ela foi uma das primeiras pesquisadoras a identificar antecipadamente o processo de envelhecimento e a tendência de queda da fecundidade da população brasileira.

Nascida em Guaxupé (MG), formou-se em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 1947. Em 1949, concluiu o mestrado em Estatística na USP e, no ano de 1951, aos 26 anos, tornou-se livre-docente em Bioestatística pela mesma instituição. Na sequência, seguiu para os Estados Unidos, onde obteve seu doutorado em Bioestatística pela Columbia University em 1958.

Ao retornar ao Brasil na década de 1960, criou o Centro de Estudos de Dinâmica Populacional (Cedip) no então Departamento de Estatística Aplicada da FSP, marcando o primeiro centro de estudo formal da demografia no Brasil. Afastada da Universidade durante a ditadura militar e cassada pelo Ato Institucional nº 5, Elza não interrompeu sua produção: em 1969, foi uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Em 1982, fundou e dirigiu o Núcleo de Estudos Populacionais (Nepo) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), instituição que hoje leva seu nome. Além de atuar na formulação de políticas, presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD) desde o ano de sua criação, em 1994, até 2003, e ajudou a fundar a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep). Reconhecida internacionalmente, foi condecorada na Ordem Nacional do Mérito Científico em 1998, eleita titular da Academia Brasileira de Ciências em 2001 e tornou-se a primeira mulher a receber o título de Doutora Honoris Causa pela Unicamp em 2021.

Em 2014, foi agraciada com o título de Professora Emérita da USP e homenageada recentemente com a nomeação de uma sala na FSP. Em 2025, ano em que completou 100 anos, sua trajetória foi celebrada com o lançamento do filme 100 anos de Elza Berquó: tributo, tema de reportagem do Jornal da USP.

Em postagem nas redes e reportagem no site, a FSP lamentou a morte da professora, reafirmando que “sua atuação sempre se caracterizou pela coragem e pelo compromisso ético, inserindo de forma pioneira as discussões sobre gênero, raça, sexualidade e direitos reprodutivos nos estudos demográficos e na formulação de políticas públicas”.


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