Brincar continua sendo essencial para o desenvolvimento infantil

Por Sandra Capomaccio17/07/2026 às 16:150 visualizações
O brincar se tornou uma experiência híbrida que mescla elementos virtuais e tradicionais. Fotomontagem feita por Brenda Kapp. - Reprodução: Freepik
Retrato de menina - Reprodução:  Freepik 
Foto de criança no celular - Reprodução:  Freepik
O brincar se tornou uma experiência híbrida que mescla elementos virtuais e tradicionais. Fotomontagem feita por Brenda Kapp. - Reprodução: Freepik Retrato de menina - Reprodução: Freepik Foto de criança no celular - Reprodução: Freepik
Foto: Andrii Rakov / Jornal da USP
🎙 Sandra Capomaccio · Jornal da USP

Especialista da USP defende o equilíbrio entre tecnologia e brincadeiras tradicionais para estimular a criatividade, a convivência e a aprendizagem

 Publicado: 17/07/2026 às 13:15
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Mais recentemente, celulares, computadores, videogames e outras tecnologias digitais transformaram ainda mais os hábitos de lazer das novas gerações – Reprodução: Freepik
Mais recentemente, celulares, computadores, videogames e outras tecnologias digitais transformaram ainda mais os hábitos de lazer das novas gerações – Reprodução: Freepik
Mais recentemente, celulares, computadores, videogames e outras tecnologias digitais transformaram ainda mais os hábitos de lazer das novas gerações – Reprodução: Freepik
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Brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento infantil e está presente em todas as culturas. Seja em brincadeiras tradicionais, como esconde-esconde, amarelinha, pega-pega e pular corda, ou em atividades com bicicletas, patins e jogos, o ato de brincar contribui para o desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo das crianças. No entanto, o avanço da tecnologia e as mudanças no estilo de vida têm transformado a forma como a infância é vivida.

Segundo Carlota Boto, professora da Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e presidente da Editora da USP (Edusp), brincar é uma expressão genuína da infância e uma característica antropológica comum a todas as sociedades. “Ao brincar, a criança utiliza a imaginação para experimentar diferentes papéis sociais, construir vínculos afetivos e desenvolver sua criatividade. Além disso, aprende a conviver com outras pessoas, negociar regras, resolver conflitos e compreender as normas da vida em sociedade”, afirma.

Transformações na infância

A professora explica que as brincadeiras acompanharam as mudanças sociais ao longo do tempo. No passado, era comum que crianças ocupassem ruas e praças com atividades como amarelinha, bola de gude, esconde-esconde, pega-pega, pular corda e elástico. Com a urbanização e a industrialização, os brinquedos produzidos em larga escala passaram a fazer parte da rotina infantil. Mais recentemente, celulares, computadores, videogames e outras tecnologias digitais transformaram ainda mais os hábitos de lazer das novas gerações.

Carlota ressalta, porém, que a tecnologia não é a única responsável por essa mudança. Segundo ela, a urbanização também reduziu os espaços públicos seguros para brincar e aumentou a sensação de insegurança nas cidades. Como consequência, muitas famílias deixaram de permitir que as crianças brincassem nas ruas, fazendo com que elas passassem mais tempo dentro de casa, onde os dispositivos eletrônicos ganharam protagonismo. Nesse contexto, o uso excessivo da tecnologia pode se tornar prejudicial ao desenvolvimento infantil.

Equilíbrio entre tecnologia e brincadeiras

Para a especialista, o uso de jogos eletrônicos não precisa ser eliminado, mas deve conviver com atividades que estimulem a imaginação, a interação social e o desenvolvimento motor. “O mais importante é que a criança tenha oportunidades de brincar de diferentes maneiras, explorando materiais variados e convivendo com outras crianças”, destaca.

A pesquisadora também observa que as formas de brincar variam de acordo com as condições sociais e econômicas. Em muitas comunidades, ainda é comum ver crianças utilizando ruas e espaços públicos para brincar. Já entre famílias de classe média e média alta, o tempo dentro de casa costuma ser maior, favorecendo atividades individuais mediadas por telas.

Papel da família e da escola

Carlota Boto destaca que a família e a escola têm papel decisivo na promoção de uma infância equilibrada. Segundo ela, os pais devem incentivar brincadeiras diversificadas, como jogar bola, pular corda, brincar de boneca e utilizar jogos educativos, conciliando essas atividades com o uso moderado da tecnologia. A escola, por sua vez, deve incorporar práticas lúdicas ao processo de ensino.

Como exemplo, a professora cita a educadora italiana Maria Montessori, que desenvolveu materiais pedagógicos capazes de estimular a aprendizagem por meio de atividades lúdicas. A proposta demonstra que brincar e aprender podem caminhar juntos, tornando o processo educativo mais significativo.

Além disso, Carlota ressalta a importância da escola como espaço de convivência e socialização. Para ela, o ambiente escolar permite que as crianças desenvolvam habilidades sociais por meio do contato com colegas, professores e diferentes formas de pensar e viver. Por isso, manifesta preocupação com propostas de ensino exclusivamente domiciliar, que podem restringir essas experiências coletivas.

Ao final, a especialista reforça que valorizar o brincar é uma responsabilidade compartilhada por famílias, educadores e pela sociedade. Garantir espaços seguros, promover o equilíbrio entre tecnologia e brincadeiras tradicionais e fortalecer o papel da escola são medidas essenciais para que as crianças tenham uma infância saudável, criativa e rica em experiências que contribuam para sua formação como cidadãos.


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