O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (17) que só vai comentar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros depois que o presidente estadunidense, Donald Trump, se manifestar sobre o tema.
Durante agenda no Rio de Janeiro, Lula afirmou que o governo brasileiro responderá no momento oportuno e disse que “contra o Brasil ninguém ganha mentindo”.
“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, declarou.
Na quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, concluindo a investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). As novas tarifas devem entrar em vigor na próxima semana.
Ainda no compromisso desta sexta, Lula também afirmou que o Brasil “não aceita que nenhum outro país do mundo faça desafio para o Brasil” e defendeu que as relações internacionais sejam pautadas pelo respeito.
“Esse país precisa estar de cabeça erguida porque o país não aceita que nenhum outro país do mundo faça desafio para o Brasil. Nós queremos respeito da mesma forma que nós damos respeito a todo mundo”, disse.
Lula participou de uma agenda na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, onde visitou a carreta da Saúde da Mulher, unidade móvel que oferece exames preventivos.
Mais cedo, os perfis de Lula nas redes sociais publicaram uma imagem com a frase “Ninguém vai mudar nosso Pix. É público, é de graça e vai continuar assim”, acompanhada da legenda: “Nossa soberania não se negocia”. O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central foi um dos principais alvos do relatório do USTR, que acusa o Brasil de favorecer o Pix em relação a outros meios de pagamento.
Reciprocidade
A primeira reação oficial do governo brasileiro veio ainda na madrugada de quinta-feira (16), em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). O Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável nas relações entre os dois países” e afirmou que a medida “reflete o abandono, pelo governo estadunidense, dos compromissos históricos de cooperação econômica e do respeito mútuo entre as nações”.
No comunicado, o governo informou que dará início aos procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica e recorrerá ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A nota também destacou que o Brasil seguirá “buscando a diversificação dos mercados de exportação, inclusive por meio da celebração de acordos comerciais”, além de adotar medidas para proteger empresas e trabalhadores afetados pelas tarifas.
Na quinta-feira (16), o governo federal anunciou ainda o reforço do programa Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito para empresas afetadas pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
