Semana de Ação Climática de Porto Alegre reúne mais de 90 atividades gratuitas

17/07/2026 às 19:410 visualizações
O evento reunirá organizações da sociedade civil, universidades, empresas, órgãos públicos, coletivos, movimentos sociais e comunidades para debater estratégias de enfrentamento à crise climática
O evento reunirá organizações da sociedade civil, universidades, empresas, órgãos públicos, coletivos, movimentos sociais e comunidades para debater estratégias de enfrentamento à crise climática
Brasil de Fato

Mais de 90 atividades gratuitas integram a programação da 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre, entre os dias 20 e 26 de julho. Com ações distribuídas por diferentes regiões da Capital, o evento reunirá organizações da sociedade civil, universidades, empresas, órgãos públicos, coletivos, movimentos sociais e comunidades para debater estratégias de enfrentamento à crise climática e fortalecer iniciativas voltadas à adaptação, à resiliência e à justiça climática.

A programação inclui painéis, oficinas, rodas de conversa, exposições, atividades culturais, laboratórios de inovação, encontros técnicos e ações de mobilização social. As atividades dialogam com os seis eixos da Agenda de Ação Climática Global da COP, abordando temas como transição energética, biodiversidade, sistemas alimentares, cidades resilientes, infraestrutura, recursos hídricos, desenvolvimento humano, inovação, participação social e transição justa.

Os encontros ocorrerão em diferentes espaços da cidade, entre eles o Theatro São Pedro e Multipalco, Caldeira, Tecnopuc, IDEAR PUCRS, Casa de Cultura Mario Quintana, Fabico (UFRGS) e Cirandar. Segundo a organização, a proposta é ampliar o acesso ao debate, fortalecer iniciativas já existentes e aproximar conhecimento científico, gestão pública, setor privado e participação cidadã.

Realizada pouco mais de dois anos após a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, a Semana de Ação Climática busca consolidar Porto Alegre como espaço de reflexão e construção de soluções diante dos eventos climáticos extremos, reunindo experiências locais e internacionais voltadas à adaptação climática e à resiliência urbana.

Agroecologia e impacto nos territórios

Entre os destaques da programação está o painel “Menos Metano, Mais Futuro: segurança alimentar e inovação no cultivo de arroz”, que ocorre em 21 de julho. A atividade discutirá alternativas para reduzir as emissões de metano na rizicultura sem comprometer a produção de alimentos, reunindo pesquisadores e especialistas para apresentar experiências em agricultura de baixo carbono.

Responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, o Rio Grande do Sul enfrenta o desafio de ampliar a resiliência do setor agrícola diante das mudanças climáticas. O debate contará com a participação da pesquisadora do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Mara Grohs; do engenheiro agrônomo Edvane Portela, que atua na produção de arroz orgânico e de base ecológica em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), considerado o maior produtor de arroz orgânico da América Latina; e de Gabriel Quintana, coordenador da Iniciativa de Ciência do Clima do Imaflora e especialista em agropecuária de baixas emissões.

A programação também abre espaço para discutir os impactos de grandes empreendimentos sobre comunidades e territórios. No dia 23 de julho, a roda de conversa “Vozes amplificadas: os custos socioambientais dos megaempreendimentos” reunirá lideranças indígenas, representantes de assentamentos, pescadores artesanais, pesquisadores e movimentos sociais para debater os processos de licenciamento ambiental de datacenters, parques eólicos e da expansão da indústria de celulose no Rio Grande do Sul.

Participam da atividade o cacique Cláudio, da Tekoá Guajayvi; Joana Winckler, do Observatório das Metrópoles; Mauro Cruz, do Assentamento Belo Monte; Paulo Brack, do Comitê Técnico de Análise e Questionamento do EIA-Rima da CMPC; Arnildo Werá, liderança Mbya Guarani da Tekoá Pindó Mirim; e Tagiane Vitória Machado de Carvalho, do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais. A mediação será do Intervozes, que também apresentará dados de uma pesquisa sobre os impactos socioambientais desses empreendimentos. Ao final, haverá um espaço de diálogo entre convidados e o público.

Outro destaque será o seminário “Perspectivas comunicacionais sobre os desastres climáticos”, realizado em 24 de julho, no Auditório 1 da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS), do qual o Brasil de Fato é parceiro. A atividade discutirá como a comunicação pública e o jornalismo podem contribuir para a prevenção e a resposta a desastres climáticos, além de refletir sobre a cobertura da enchente de 2024 e o acesso à informação em situações de emergência.

Participam do debate o jornalista Luciano Velleda, o cacique Odirlei Fidelis, a jornalista Camila Santos, a pesquisadora Eloisa Beling Loose, o jornalista Luís Eduardo Gomes, do Sul21, a editora-chefe do Brasil de Fato RS, Katia Marko, e a repórter Clara Aguiar. O seminário é gratuito, aberto ao público e contará com interpretação em Libras e audiodescrição.

A Climate Week Porto Alegre é articulada por organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas e redes voltadas à justiça climática, reunindo parceiros nacionais e internacionais. A iniciativa também conta com a parceria da Coalizão RS, que reúne setores público e privado em torno de uma agenda comum de resiliência climática, buscando fortalecer a cooperação e ampliar a capacidade de resposta às mudanças do clima.

Mais informações e a programação completa neste link.

Fonte
Brasil de Fato
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