O governo de Donald Trump exigiu que o Brasil barrasse os investimentos chineses nos setores de mineração e terras raras, além de abrir totalmente o mercado nacional para produtos estadunidenses, segundo documento divulgado pelo ICL Notícias. A divulgação da informação acontece dois dias após Trump anunciar a taxação de 25% sobre produtos brasileiros.
Para a analista internacional Amanda Harumy, a decisão expõe a política externa do governo Trump, que coloca a América Latina como um campo de disputa. “Trump tenta isolar a América Latina de influências de um mundo multipolar, principalmente da China. Lembrando que a China é o maior parceiro comercial do Brasil”, destaca em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “É um campo de batalha onde duas potências comerciais se encontram: de um lado os EUA e, de outro, a China.”
Harumy reforça que o Brasil tem capacidade de manter relações comerciais com diversos países e, portanto, essa “chantagem da Casa Branca” mostra mais uma vez o caráter político. “Estão tentando desestabilizar politicamente o Brasil para influenciar a disputa doméstica que teremos em outubro”, afirma.
A analista reconhece que alguns setores serão impactados, mas, no final do dia, a tentativa é de ingerência política. “É um discurso ideológico-político. Lembrando que a família Bolsonaro em diversos momentos construiu esse diálogo com Trump e defende a tarifa na economia brasileira”, argumenta.
Amanda Harumy avalia que o governo Lula precisa ser pragmático diante dos últimos acontecimentos e, na análise dela, isso já vem ocorrendo. “Os canais diplomáticos se transformaram em instrumentos para se construir um diálogo. Mas não é através do convencimento diplomático que a gente vai conseguir solucionar esse grande interesse de ingerência política que os EUA vêm promovendo no Brasil. E destaco: essa vai ser a primeira ingerência de muitas”, destaca.
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