O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar uma possível incursão militar em Cuba. Em entrevista concedida à emissora Fox News, o mandatário afirmou que “muitas coisas vão acontecer em Cuba nos próximos dois meses” e, ao ser questionado se essas ações poderiam ter caráter militar, respondeu: “Poderíamos fazer isso com Cuba. Obviamente, não seria difícil para nós.”
As declarações do magnata nova-iorquino ocorrem em um contexto de crescente hostilidade de Washington em relação à ilha. Desde o fim de janeiro, o governo dos Estados Unidos mantém um bloqueio energético intensificado, ao ameaçar impor sanções a qualquer país que venda ou forneça petróleo a Cuba, uma medida destinada a aprofundar o estrangulamento energético do país.
Ao mesmo tempo, o governo estadunidense vem ampliando de forma sistemática as chamadas “sanções secundárias”, direcionadas a entidades ou empresas não estadunidenses que mantêm relações comerciais com o Estado cubano. Essas medidas levaram à retirada de importantes empresas ligadas a setores estratégicos da economia da ilha, como o turismo e a exploração mineral.
“Estou de olho em Cuba. Muitas coisas vão acontecer em Cuba nos próximos dois meses, mas não a vejo como a Venezuela. A Venezuela tem enormes quantidades de petróleo. Poderíamos fazer isso com Cuba. Obviamente, não seria difícil para nós”, afirmou Trump durante a entrevista, ao comparar a situação cubana com a venezuelana.
Sem esconder o interesse de Washington pelas riquezas naturais da Venezuela, Trump declarou que “a Venezuela é muito maior que Cuba, mas a Venezuela é ouro. Na verdade, tem ouro. Tem muito ouro, muito petróleo. Possui uma das terras mais valiosas do mundo, provavelmente a mais valiosa em termos de ouro, rubis… Quero dizer: se você percorrê-la, é a coisa mais louca que já viu. Eles têm mais petróleo do que quase qualquer outro país, exceto nós”.
“Bater os tambores da guerra”
As declarações do presidente estadunidense ocorrem em um contexto de crescentes ameaças contra Cuba. Na última quarta-feira (15), funcionários do Pentágono vazaram à emissora estadunidense CBS News que o Departamento de Defesa teria começado a avaliar discretamente opções militares contra a ilha. Segundo as informações divulgadas, os planos incluem um possível ataque aéreo liderado pela 101.ª Divisão Aerotransportada.
Havana não demorou a responder e acusou Washington de “bater os tambores da guerra”. Por meio das redes sociais, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, questionou o conteúdo da informação divulgada e afirmou: “Não há no despacho assinado por quatro autores sequer uma pergunta sobre qual seria a desculpa para cometer semelhante crime. Nenhum deles parece questionar que autoridade política, legal ou moral respalda os EUA para provocar mortes e destruição com uma aventura bélica contra o povo cubano”.
A denúncia ocorre em um contexto no qual, desde janeiro passado, o Pentágono tem vazado de forma sistemática a diferentes meios de comunicação informações sobre supostos planos militares contra Cuba, acompanhadas de recorrentes ameaças contra a ilha.
“Esses jornalistas sequer questionam qual seria o motivo suficiente para conduzir a um cenário que pode terminar em um banho de sangue contra um país que não atacou, não ameaçou e não causou o menor dano à maior potência nuclear do planeta”, acrescentou Cossío.
