Após caso do Corinthians, petição com 22 mil assinaturas pede fim de anúncios de plataformas adultas no esporte

Por Lucas Krupacz17/07/2026 às 21:420 visualizações
Corinthians fecha patrocínio com plataforma adulta Fatal Fans
Corinthians fecha patrocínio com plataforma adulta Fatal Fans
Brasil de Fato

Uma petição com mais de 22 mil assinaturas pressiona pela proibição da publicidade de empresas ligadas ao conteúdo adulto em uniformes esportivos e outros espaços públicos. Essa mobilização surgiu após um acordo entre o Corinthians e a plataforma Fatal Fans e reacende o debate sobre os limites da publicidade e a proteção de crianças e adolescentes.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a ativista Larissa Agostini, fundadora da Digna Brasil, conta que a Fatal Fans é de propriedade da Atlas Technology, dona também da Fatal Model, uma plataforma que conecta prostitutas a clientes. Agostini explica que a empresa compreendeu que seria mais fácil acessar a publicidade com o conteúdo erótico do que com o agenciamento de acompanhantes.

“Talvez a gente esteja diante de um novo fenômeno, igual aconteceu com as bets, que têm um impacto coletivo na sociedade e que a gente tem uma responsabilidade coletiva de agir também”, defende.

A ativista destaca que o Corinthians não é o primeiro nem o único clube de futebol patrocinado pela Atlas Technology. “Em 2024, foi a maior patrocinadora dos times da Série B do Brasileirão, com patrocínio em mais de 10 times. Ela inclusive tentou negociar os naming rights do Clube Vitória, que foram recusados, mas está em negociação os naming rights [patrocínio para mudar de nome] do Barradão [estádio do Vitória]. Então, assim, não é um movimento que surgiu agora”, relata.

Além disso, Larissa Agostini frisa que a questão não é sobre o Corinthians ou mesmo sobre a empresa Atlas Technology. “O que a gente está discutindo aqui são os limites dessa regulamentação de publicidades que a gente já viu com cigarros, álcool, público infantil”, analisa. “O esporte é um lugar que pertence também à infância, e a infância precisa da proteção não só dos conteúdos inadequados para a idade, mas da publicidade em si”, defende.

Agostini explica que a mobilização é na direção da criação de uma legislação que imponha regras a esse tipo de publicidade. Ela conta que só o estado do Rio de Janeiro tem lei que proíbe publicidade de conteúdos eróticos em locais públicos e de grande circulação.

“A agenda da formulação das políticas públicas é muito influenciada por um problema que surgiu na sociedade. A partir disso, a gente passa a ter as demandas. Toda e qualquer política pública nasce assim. Depois dessa repercussão, duas parlamentares aqui de São Paulo, a vereadora Marina Bragante e a deputada Marina Helou [ambas do PSB], protocolaram dois projetos de lei, um no município e um no estado, proibindo em São Paulo a publicidade, não só no esporte, como também em espaços públicos e sociais de grande circulação. A ideia é que essa mobilização possa criar possibilidade de uma iniciativa nacional”, explica.

Para acessar o abaixo-assinado, clique aqui neste link.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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