Na petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes, a defesa solicita a liberação da entrada de Milei e dos integrantes da comitiva argentina a partir das 16h00.
"Diante do exposto, requer seja autorizada a visita do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Argentina, doutor Javier Milei, acompanhado dos integrantes da delegação acima identificados, a realizar-se no dia 25 de julho de 2026 (sábado), a partir das 16h00, no local em que o custodiado cumpre prisão domiciliar humanitária", informa o documento.
Milei participará da convenção nacional do Partido Liberal (PL), em Brasília (DF). Durante o evento, a legenda oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República para as eleições de outubro.
O presidente argentino já havia antecipado a viagem ao Brasil na última semana, quando declarou que pretendia prestigiar a candidatura de Flávio Bolsonaro e aproveitar a passagem pelo país para encontrar o ex-presidente brasileiro.
Porém, decisão posterior do ministro do STF suspendeu, pelos próximos 30 dias, todas as visitas ao ex-presidente, com exceção apenas para profissionais de saúde responsáveis por seu atendimento.
Além das restrições presenciais, Moraes determinou a proibição de Bolsonaro de divulgar manifestos, cartas ou qualquer outra mensagem de conteúdo político-eleitoral, ainda que o material seja veiculado por terceiros ou qualquer meio de comunicação.
No fim de junho, Flávio Bolsonaro esteve em Buenos Aires para participar da Latin America Chairmen's Conference, conferência da comunidade judaica voltada a lideranças políticas e empresariais da América Latina.
Após a reunião, Milei publicou uma foto ao lado do senador nas redes sociais acompanhada da mensagem "Vem aí a maré azul para o Brasil". Flávio respondeu agradecendo o apoio do presidente argentino e afirmou que espera que a "maré azul" se espalhe por todo o continente — expressão utilizada por lideranças conservadoras para representar o fortalecimento de governos e movimentos de direita na América Latina.
Condenado em novembro de 2025 por liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, o ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde que recebeu o benefício por motivos de saúde.
Após o filho Flávio divulgar uma carta do pai em que pede união e o cita como "porta-voz" diante das polêmicas envolvendo a família Bolsonaro, Alexandre de Moraes proibiu nesta semana a visita do senador por 90 dias.
Na avaliação de Moraes, a visita do senador ao ex-presidente teve como intuito obter um documento destinado exclusivamente à divulgação em plataformas digitais, o que, segundo o ministro, configuraria tentativa de contornar a proibição imposta a Jair Bolsonaro de usar redes sociais, de forma direta ou por intermédio de terceiros.


