"Isolado, o turismo não garante direitos territoriais, mas pode contribuir para justificar a expansão de investimentos em embarcações de abastecimento, estrutura portuária, a busca por rotas marítimas alternativas regulares e o desenvolvimento de aeronaves e aeródromos. Todos esses elementos acabam compondo cadeias logísticas que podem, no futuro, adquirir uma importância ainda maior", disse.
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"Se a presença de um país for desproporcionalmente maior do que a dos outros no continente, isso pode movimentar a opinião pública para uma eventual contestação e revisão do tratado. [Nesse cenário] pode ter apoio da população para poder fazer alguma coisa. Mas isso depende muito do cenário geopolítico e de outras variáveis", comenta.
Sistema do Tratado Antártico não permite soberania
"Teoricamente, a Antártica pode ser considerada como recurso de uso comum, mas não excludente. O que significa dizer que é impossível impedir que as pessoas usufruam do continente, desde que para fins pacíficos e científicos. Só que [a movimentação do turismo] acaba priorizando ganhos privados que vão impor ali custos coletivos, tanto ambientais quanto institucionais", destaca.
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"O turismo não parece, mas vai normalizando cada vez mais essa presença humana enquanto fonte de legitimidade política e, obviamente, a questão da influência em eventual cenário de revisão ou contestação do próprio Tratado da Antártica. Então, tende a fortalecer as condições, tanto políticas quanto estratégicas, para influenciar uma negociação que venha a ocorrer", observa.
Dinâmica de turismo intenso afeta o meio ambiente
"O que mais preocupa em relação à Antártica são essas mudanças ambientais, que são um produto de processos cumulativos. Muito se fala sobre o declínio precipitado do gelo marinho desde 2016, mas esse evento é excepcional em relação à própria variabilidade natural dos últimos três séculos. Isso já é um indício muito forte de uma mudança para um regime menos estável", conclui.
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