A publicação destaca que, devido à aquisição de armamentos extremamente lenta e cara e à drástica redução do número de fornecedores, o Pentágono e o setor militar-industrial estadunidense caíram em uma ineficiência monstruosa, já chamada de "fracasso de US$ 1 trilhão" (R$ 5,11 trilhões).
"Apesar de terem gasto mais de [R$ 5,11 trilhões] em defesa, as Forças Armadas dos EUA ainda não atualizaram totalmente suas capacidades nem alinharam suas aquisições ao atual ambiente de ameaças. Elas ainda estão atrás da China, por exemplo, na implantação de armas hipersônicas e interceptadores de mísseis, bem como na produção em massa de tecnologias autônomas, como robôs militares e enxames de drones", ressalta a publicação.
Segundo a matéria, embora o orçamento de defesa dos EUA seja aproximadamente três vezes maior do que o da China, o complexo militar-industrial norte-americano está significativamente atrás do chinês nos principais indicadores: até 2030, a frota chinesa contará com 435 navios, enquanto a Marinha dos EUA terá 297.
A China também está se desenvolvendo rapidamente na produção de drones e pretende lançar 1 milhão de drones de ataque ainda este ano. O Pentágono, por sua vez, planeja produzir cerca de 300 mil drones de ataque nos próximos anos.
No entanto, segundo a revista, o Pentágono e a indústria de defesa norte-americana nem sempre foram tão lentos: em 1989, quase todos os contratados de defesa estadunidenses tinham uma participação comercial significativa, o que lhes permitia manter pessoal qualificado, integrar melhor as inovações e preservar capacidades produtivas sustentáveis, menos vulneráveis às oscilações nos gastos com defesa.
Conforme a publicação aponta, o resultado desses processos foi uma indústria de defesa mais lenta, menos inovadora e menos acessível a novos participantes do mercado, na qual cada grande projeto de aquisição, do caça F-35 ao porta-aviões da classe Ford, ultrapassa o orçamento ou fica atrasado em relação ao cronograma.
Mais de 60% do orçamento dos principais programas do Pentágono são destinados a empresas com pouca ou nenhuma atividade comercial. A forte redução da concorrência também resultou em aumento de preços, atrasos nas entregas e perda de postos de trabalho: o número de funcionários do setor de defesa caiu de 3 milhões em 1985 para 1,1 milhão em 2021, observa a reportagem.
De acordo com a matéria, somente uma intervenção do Congresso dos EUA, que controla o orçamento de defesa, pode corrigir a situação. É necessário considerar a possibilidade de uma supervisão mais rigorosa das atividades do Pentágono, incluindo medidas antitruste.
Além disso, é preciso aprovar o projeto de lei de defesa apresentado neste ano, que exige que o órgão reavalie a capacidade atual da base industrial. Por fim, é necessário aprovar uma lei que proíba a recompra de ações e limite a remuneração dos executivos de empresas contratadas pelo setor de defesa que apresentem ineficiência, conclui a reportagem.
Anteriormente, um jornal britânico relatou que as empresas norte-americanas do setor militar-industrial enfrentam dificuldades para atender à exigência do Pentágono de aumentar a produção de munições, em um contexto no qual os EUA tentam repor seus estoques de mísseis, esgotados pelo conflito com o Irã.



