O Brasil que eles deixaram e o Brasil que estamos construindo

Por Humberto Costa19/07/2026 às 11:261 visualizações
Eleitores votam durante o 2º turno da eleição presidencial de 2022
Eleitores votam durante o 2º turno da eleição presidencial de 2022
Brasil de Fato

Em ano eleitoral, a disputa não é somente entre candidatos, é entre versões do país. De um lado, o rastro de miséria do governo passado, que tentou destruir a democracia, que levou o país à fila do osso e que, ao final, organizou um golpe de Estado frustrado.

Do outro lado, o legado de um governo que reconstruiu o que foi desmontado, gerou os maiores índices de emprego da história e tirou novamente o Brasil do Mapa da Fome, salvando, em apenas dois anos, milhões de pessoas da situação de insegurança alimentar grave.

Essa é a escolha que o Brasil enfrentará em outubro — e ela precisa ser feita com os olhos abertos, não com os olhos vendados pela desinformação que a direita produz em escala industrial. Os dados não mentem e é com eles que essa conversa precisa começar.

Quando Jair Bolsonaro deixou o governo, em dezembro de 2022, o desemprego estava em dois dígitos, o salário mínimo havia perdido poder de compra ao longo de quatro anos consecutivos, a inflação dos alimentos acumulava alta de 57% e o Brasil havia retornado ao Mapa da Fome da ONU, condição da qual havia saído pela primeira vez em 2014, após mais de uma década de políticas consistentes de inclusão social sob governos do PT.

O próprio desmonte dos programas sociais, a partir de 2016, com o governo do golpista Michel Temer, acentuado a partir de 2019 por Bolsonaro, explica o retrocesso que se seguiu: quando o Estado abandona o povo, a fome mostra seus dentes. E isso não é retórica. É o que os números mostram com clareza.

No segundo trimestre de 2025, sob o governo do presidente Lula, a taxa de desemprego atingiu 5,8%, a menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Em novembro do mesmo ano, recuou ainda mais: 5,2%, novo recorde histórico. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39,4 milhões, também o maior já registrado. Em julho de 2025, o Brasil saiu oficialmente do mapa da fome da ONU, dois anos antes da meta que o presidente Lula havia estabelecido no início do mandato.

E os avanços seguem. Estudo do Ipea aponta que o Brasil alcançou, em 2024, sob gestão de Lula, os melhores índices de renda, desigualdade e redução da pobreza dos últimos 30 anos. A extrema pobreza caiu para menos de 5% da população. Do 1,7 milhão de vagas com carteira assinada criadas em 2024, 98,8% foram ocupadas por pessoas inscritas no Cadastro Único do governo federal.

Ao longo de 2025, cerca de um milhão de famílias deixaram de precisar do Bolsa Família — programa tão criticado pelos apoiadores do bolsonarismo —, e não porque o programa foi cortado, mas porque melhoraram de vida. E isso tem nome: redistribuição de renda, promovida por um governo que escolhe governar para quem mais precisa, não para quem já tem de sobra.

Enquanto isso, qual é o legado concreto que a extrema-direita tem a apresentar? A narrativa será, como sempre, confundir e distorcer a realidade. Dirão que houve crescimento econômico sob Bolsonaro, sem mencionar que ele foi financiado por gastos emergenciais da pandemia e por um estado de calamidade pública que suspendeu as regras fiscais e golpes aos entes federados e as contas públicas.

Dirão que a inflação foi controlada, sem mencionar que os alimentos subiram 57% enquanto o salário do trabalhador ficou congelado. Dirão ainda que havia liberdade, sem lembrar que a liberdade que defendiam era a de propagar mentiras sobre vacinas, atacar o Supremo Tribunal Federal e planejar a ruptura das instituições democráticas do país.

A política externa de submissão promovida pelo governo Bolsonaro também transformou o Brasil, que era símbolo da diplomacia mundial, num pária internacional, isolado de parceiros históricos e vassalo de uma agenda que nunca foi a nossa.

E, finalmente, ao ser derrotado nas urnas, o mesmo grupo organizou um golpe de Estado, cujos líderes foram condenados pela Justiça e os integrantes fugiram para o exterior, pedindo intervenção estrangeira em território brasileiro. Esse é o legado que eles têm para apresentar ao eleitor.

A eleição de 2026 não será uma escolha entre estilos diferentes de governar. Será uma escolha entre um país que avança e um que retrocede. Entre quem tirou o Brasil do Mapa da Fome e quem o colocou de volta nele. Entre quem valorizou o salário mínimo e quem deixou o trabalhador perder poder de compra durante anos seguidos. Entre quem defendeu as urnas e quem tentou destruí-las operando para destruir o Estado de Direito.

Participei da reconstrução deste país. Estive ao lado das políticas que geraram emprego, que ampliaram o Bolsa Família, que retomaram o Minha Casa Minha Vida, que trouxeram o Brasil de volta ao respeito internacional e que defendem punição contra aqueles que financiaram as mais de 700 mil mortes na pandemia de Covid-19.

Eu sei o que custou esse trabalho. Sei também o preço que o povo pagou pelos quatro anos que vieram antes, quatro anos de fome, desemprego, negacionismo e ameaças à democracia. É por isso que não tenho nenhuma dúvida sobre qual lado da história quero estar. E sobre que projeto de país merece seguir em frente. E tenho certeza de que a minha escolha é, majoritariamente, a mesma que milhões de brasileiros farão em outubro próximo.

Fonte
Brasil de Fato
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