Veleiro da ONG Open Arms chega a Cuba com 7 toneladas de ajuda humanitária para hospital pediátrico

Por Gabriel Vera Lopes21/07/2026 às 00:284 visualizações
HAB01 HAVANA (CUBA). – Integrantes da organização humanitária Open Arms participam de uma visita por diferentes áreas do Hospital Pediátrico Juan Manuel Márquez, em Havana, onde chegaram com uma doação de sete toneladas de ajuda humanitária (equipamentos fotovoltaicos, insumos médicos e livros) para reforçar a autonomia energética da unidade de terapia intensiva.
HAB01 HAVANA (CUBA). – Integrantes da organização humanitária Open Arms participam de uma visita por diferentes áreas do Hospital Pediátrico Juan Manuel Márquez, em Havana, onde chegaram com uma doação de sete toneladas de ajuda humanitária (equipamentos fotovoltaicos, insumos médicos e livros) para reforçar a autonomia energética da unidade de terapia intensiva.
Brasil de Fato

Após percorrer cerca de 10 mil quilômetros pelo oceano Atlântico, o veleiro Astral, da ONG espanhola Open Arms, chegou no domingo ao porto de Havana com sete toneladas de ajuda humanitária — entre elas, painéis solares, baterias de reposição, materiais médicos e livros infantis — destinadas ao Hospital Pediátrico Juan Manuel Márquez.

A carga foi entregue nesta segunda-feira (20) como parte da campanha “Rumbo a Cuba”, uma iniciativa de arrecadação de fundos promovida por mais de 150 organizações sociais e políticas, com o objetivo de denunciar o bloqueio que os Estados Unidos mantêm contra a ilha.

Graças à contribuição de mais de 4 mil doadores, a campanha arrecadou cerca de 160 mil euros (932.402 reais), recursos utilizados para financiar os equipamentos destinados ao hospital pediátrico.

A doação busca contribuir para a autonomia energética da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), da área de cuidados intermediários e do laboratório clínico do centro de saúde, com o objetivo de reduzir os efeitos da asfixia energética imposta pelo governo dos Estados Unidos contra Cuba, que afeta o funcionamento do atendimento médico infantil.

O Astral partiu de Barcelona em maio e navegou cerca de 6.200 milhas náuticas. Em entrevista ao Brasil de Fato, Miguel Urbán, ex-eurodeputado e atual coordenador da “Rumbo a Cuba”, explicou que a missão busca retribuir a solidariedade que Cuba ofereceu durante décadas a outros povos.

“Em qualquer causa justa, em qualquer crise humanitária, havia um médico cubano. Nós, com esta ação, queríamos devolver ao povo cubano e ao seu sistema de saúde um pouco dessa solidariedade que ele espalhou pelo mundo”, afirmou.

“Com a situação que o povo cubano está vivendo justamente agora, como não estar em Cuba? Estamos diante de um autêntico cerco medieval, um crime de guerra por parte do imperialismo estadunidense contra o povo cubano”, seguiu.

De resgates no Mediterrâneo a missões humanitárias internacionais

Fundada em 2015 pelo socorrista Óscar Camps, a Open Arms é uma organização não governamental e fundação humanitária espanhola, com sede na Catalunha. Seu trabalho começou com o envio de embarcações de resgate ao mar Mediterrâneo para auxiliar pessoas migrantes e refugiadas em situação de vulnerabilidade.

Nos últimos anos, além das operações de resgate, a organização desenvolveu diversas missões humanitárias para levar assistência médica e logística a regiões afetadas por conflitos ou desastres.

“Para nós, a solidariedade entre os povos é fundamental. Na verdade, a Open Arms nasceu a partir da chamada — de forma equivocada — crise dos refugiados, quando milhares de pessoas arriscavam suas vidas no mar Egeu para tentar chegar às costas da Grécia, fugindo de conflitos, guerras e da violência”, explicou ao Brasil de Fato Laura Lanuza, diretora de Comunicação e Projetos da Open Arms.

“Desde aquele momento, colocamos as mãos à obra para ajudar e evitar que nenhuma vida fosse perdida no mar. É isso que fazemos há dez anos.”

A primeira intervenção da organização ocorreu em 2015, na ilha grega de Lesbos e no mar Egeu, onde resgatou milhares de refugiados e imigrantes que tentavam chegar à Grécia a partir da Turquia.

Lanuza lembrou que, desde então, a organização tem trabalhado de forma ininterrupta para salvar vidas. Em 2024, a Open Arms integrou um corredor humanitário marítimo para transportar toneladas de alimentos e suprimentos médicos para a Faixa de Gaza. Atualmente, além da missão de solidariedade em Cuba, a organização também colabora em operações de resgate na Venezuela.

“É justamente a demonstração de que a população civil, com nossa solidariedade e nossos princípios, pode fazer muitas coisas e, de alguma forma, colocar um espelho diante das administrações e dos Estados para que percebam que é possível agir. Muitas vezes, as coisas não são feitas por uma falta de ação deliberada por parte dos Estados, mas a população civil, a partir de um barco como o nosso, da Open Arms, pode fazer muitas coisas, assim como muitas outras organizações da sociedade civil”, afirmou.

Fonte
Brasil de Fato
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