O novo catalisador quebra seletivamente as cadeias plásticas em componentes de hidrocarbonetos C8-C16, querosene usados no combustível Jet A/A-1, evitando a produção de metano, gás de efeito estufa, como subproduto indesejado.
Segundo o estudo da Shanghai Advanced Research Institute (Academia Chinesa de Ciências) e Fudan University, o processo utiliza metais abundantes e baratos (níquel e cobalto), tornando a viabilidade de escala industrial real, de acordo com o estudo.
Quando alimentado por energia renovável, o processo reduz as emissões de gases de efeito estufa em 80% em comparação com a produção convencional.
Diferente das garrafas PET, mais fáceis de reciclar quimicamente, as poliolefinas têm ligações carbono-carbono que exigem enormes quantidades de energia (pirólise a 400–600°C) e, até então, uso de de metais nobres e caros, como platina, paládio ou rutênio, para a hidrogenólise - quebra com hidrogênio.
O novo catalisador, segundo a pesquisa, quebra seletivamente a temperaturas mais baixas esses metais abundantes e mais baratos. Além disso, o querosene de aviação tradicional é feito de petróleo bruto, envolvendo extração, transporte e refino intensivo. A descoberta possibilita a reciclagem do carbono que já está acima do solo, em vez de perfurar para obter novo carbono.
O desafio ainda está na limpeza de resíduos dos plásticos que serão transformados, processo ainda oneroso. O uso do hidrogênio para quebrar as cadeias também precisa ser "verde" e não de gás natural para garantir a economia de 80% nas emissões.
Outro desafio é a falta de processos de coletas e separação dos resíduos plásticos para atender uma demanda em escala industrial. Estudos apontam que a demanda global por querosene de aviação é de 300 milhões de toneladas por ano. Já o lixo plástico global é de 350 milhões de toneladas por ano, embora as taxas de coleta globais estão abaixo de 20%.
Como a China é a maior importadora de petróleo bruto do mundo e a maior produtora de resíduos plásticos, a pesquisa visa estimular este mercado e reduzir a dependência da importação de petróleo e diminuir a crise de resíduos domésticos.
O estudo estima que em menos de dez anos, a transformação "plástico-para-querosene" deve representar de 5 a 10% do combustível de aviação.


