Em entrevista coletiva na agência Sputnik, Gromyko afirmou que ocorre uma espécie de "europeização da OTAN", pois os Estados Unidos estão se retirando estrategicamente da Europa.
"Eles [Estados Unidos] estão transferindo a maior parte dos custos para seus aliados na Europa, embora não os abandonem convencionalmente, em termos de armas convencionais", disse Gromyko.
O especialista mencionou dados sobre o crescimento dos gastos militares dos membros europeus da Aliança e do Canadá: em 2025, eles aumentaram seus gastos com defesa em 20%.
"Só esses 20% são US$ 139 bilhões [R$ 710,5 bilhões]. Em 2026, espera-se que todos os membros da OTAN, exceto os Estados Unidos, aumentem seus custos em mais US $70 bilhões [R$ 357,8 bilhões]", observou o especialista.
Segundo o analista russo, até 2030, a OTAN, sem Estados Unidos e Canadá, planeja gastar US$ 800 bilhões (R$ 4,08 trilhões).
Gromyko também observou que os Estados Unidos pretendem reduzir o número de bombardeiros, caças, navios de guerra, submarinos e drones de ataque na Europa, e o Pentágono já iniciou uma auditoria da eficácia do desdobramento das forças americanas no continente europeu.
Na semana passada, a Agência Europeia de Defesa (EDA, na sigla em inglês) publicou um relatório segundo o qual 15 países da União Europeia aumentaram seus orçamentos de defesa em mais de 10%, enquanto outros nove países do bloco tiveram aumentos inferiores a 10%.
Já os três países restantes, a República Tcheca, a Hungria e a Romênia, contrariando a tendência geral da UE, cortaram seus gastos militares, de acordo com o relatório.


