"A Convenção de Montreux também trouxe novidades. Os artigos mais conhecidos são 19, 20 e 21. No 19, se a Turquia estiver neutra, ela tem o direito de se proteger e escolhe o que fazer em relação aos estreitos. Já no 20, a Turquia pode remilitarizar a área. Quanto ao artigo 21, a Turquia precisa entender que está passando por uma ameaça e deve notificar as Nações Unidas", disse.
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"[O presidente turco] Erdogan está criando uma proposta para lucrar com o Canal de Istambul. Ele vai ter essa nova fonte de receita, porque, pela Convenção de Montreux, não se pode cobrar passagem de navios, enquanto os EUA podem cobrar no Canal do Panamá. Está escrito na página do Ministério das Relações Exteriores da Turquia que o país quer se tornar uma potência regional e isso virá por meio do domínio energético. Por isso, há navios de perfuração no mar Negro", comenta.
Tratado internacional pelo fluxo em Ormuz é inviável
"Quando a gente compara geograficamente, os estreitos de Bósforo e Dardanelos estão dentro da Turquia. [Mas em Ormuz] se tem 'choke point', a parte mais estreita, que pegaria Omã e o Irã, por onde escoa muito petróleo. E não é do interesse de ninguém que haja qualquer restrição ou que o Irã possa exercer qualquer poder sobre esse estreito, por conta da necessidade de escoar petróleo por essa rota", destaca.
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"Quando a gente pensa em direitos de navegação, uma das primeiras coisas que vêm à mente é a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, também chamada de Convenção de Montego Bay, de 1982. Mas há algo interessante de se observar sobre essa convenção da ONU: os Estados Unidos a ratificaram? Não. Ao mesmo tempo, impõem que Turquia, por exemplo, e Irã ratifiquem essa convenção", observa.
Convenção de Montreux e a instabilidade da Europa
"Na década de 1930, havia a Itália invadindo a Etiópia, Hitler remilitarizando a Alemanha, e todo o tabuleiro já se formando para a Segunda Guerra Mundial. Então, Ataturk vê todo mundo se rearmando e se pergunta: por que não posso militarizar, proteger e colocar bases nos estreitos? Nesse momento, o interesse de todos os países envolvidos na possibilidade de um novo conflito ditou a forma como a Convenção de Montreux passaria a funcionar", conclui.
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