Da enchente à ação: Porto Alegre reúne sociedade civil para discutir caminhos diante da crise climática

Por Fabiana Reinholz21/07/2026 às 13:460 visualizações
A iniciativa ocorre dois anos após a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul
A iniciativa ocorre dois anos após a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul
Brasil de Fato

Com apresentações artísticas que marcaram a cerimônia de abertura, a 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre teve início nesta segunda-feira (20), reunindo mais de 90 atividades gratuitas que serão realizadas até domingo (26) em diferentes regiões da capital gaúcha. A iniciativa ocorre dois anos após a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul e propõe reunir diferentes setores da sociedade na construção de respostas para a crise climática.

Conectada a uma rede internacional de semanas de ação climática, que inclui iniciativas como a London Climate Action Week e eventos realizados em diferentes cidades do mundo, a programação reúne organizações da sociedade civil, universidades, empresas, órgãos públicos, coletivos e comunidades para debater soluções relacionadas à adaptação climática, à transição justa e à justiça social.

A agenda descentralizada inclui debates, oficinas, rodas de conversa, intervenções culturais e atividades de mobilização em diferentes espaços da Capital, como o Multipalco do Theatro São Pedro, a Tecnopuc e o Instituto Caldeira, além de universidades, sindicatos, centros culturais e organizações da sociedade civil.

Responsável pela fala de abertura da 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre, a socióloga, educadora e multiartista Nina Fola convidou o público a refletir sobre a relação entre a crise climática, a ancestralidade e o cuidado coletivo. Ao recordar a enchente de 2024, ela afirmou que Porto Alegre passou a ocupar um lugar simbólico na memória do país. “Há cidades que extrapolam os traçados dos mapas e passam a habitar nossa memória afetiva. Há dois anos, Porto Alegre transformou-se em um desses marcos para todo o país, quando a força das águas invadiu nossas ruas, lares, memórias e rotinas.”

Conforme pontuou, a tragédia deixou marcas que vão além das perdas materiais. “Levou consigo bens materiais e narrativas de vida, desfazendo a ilusão de que a natureza existe distante de nós.”

‘Há cidades que extrapolam os traçados dos mapas e passam a habitar nossa memória afetiva. Há dois anos, Porto Alegre transformou-se em um desses marcos para todo o país’, destacou Nina Fola |
‘Há cidades que extrapolam os traçados dos mapas e passam a habitar nossa memória afetiva. Há dois anos, Porto Alegre transformou-se em um desses marcos para todo o país’, destacou Nina Fola | — Divulgação
‘Há cidades que extrapolam os traçados dos mapas e passam a habitar nossa memória afetiva. Há dois anos, Porto Alegre transformou-se em um desses marcos para todo o país’, destacou Nina Fola | Crédito: Divulgação

Para Fola, a emergência climática também exige uma mudança na forma como a sociedade compreende a relação com a natureza. “Muito antes de cunharmos o termo emergência climática, as populações originais e as comunidades de matrizes africanas já compreendiam que a natureza não nos pertence. Nós pertencemos a ela.”

Ela destacou que esses saberes permanecem vivos entre povos e comunidades tradicionais. “Essa sabedoria histórica resistiu ao tempo, à colonização e às tentativas de apagamento. Ela pulsa em territórios indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e terreiros, onde se ensina que a preservação ambiental é indissociável da dignidade humana.”

A socióloga também ressaltou que a resposta à enchente foi construída, sobretudo, pelas redes de solidariedade. “Quando a crise severa nos atingiu, a lição não veio das defesas de concreto e aço, mas sim do acolhimento humano, liderado primordialmente por mulheres.”

Ela ainda chamou atenção para as desigualdades evidenciadas pela crise climática. “A crise climática possui marcadores sociais nítidos. Tem endereço, cor e gênero.” Ao concluir, Fola defendeu que as soluções para enfrentar a emergência climática dependem da construção coletiva. “A verdadeira inovação emerge não apenas de centros tecnológicos, mas também da preservação cultural, da ancestralidade e da empatia coletiva.”

Porto Alegre entra na agenda global da ação climática

Ao Brasil de Fato, Denise Dora, enviada especial da COP30 para Direitos Humanos e Transição Justa e uma das organizadoras da Semana de Ação Climática de Porto Alegre, afirmou que a iniciativa tem como proposta reunir diferentes setores da sociedade para construir respostas diante da emergência climática.

Segundo ela, Porto Alegre se tornou uma cidade emblemática no debate climático internacional após a enchente de 2024, que provocou impactos em todo o Rio Grande do Sul. “Porto Alegre é uma cidade muito emblemática no mundo. Quando a gente fala em fazer a Semana de Clima de Porto Alegre, todo mundo lembra de um dos maiores, se não o maior evento climático dos últimos anos, que atingiu o maior número de pessoas: foram 600 mil pessoas atingidas, 185 pessoas mortas.”

Dora destacou a dimensão da destruição provocada pelas águas, especialmente em regiões da Capital. “Houve destruição de bairros inteiros, como o Quarto Distrito. Não teve uma peça que tenha ficado em pé depois de ficar 28 dias embaixo de dois metros de água.”

Para ela, o fato de a cidade organizar, dois anos depois, um espaço de reflexão e construção coletiva de soluções representa um movimento importante. “Pensar que, dois anos depois, a cidade se organiza para refletir sobre isso, para apontar soluções, para juntar todos os pedaços dessa equação, todos esses diferentes players, e produzir uma resposta é muito forte.”

Dora afirmou que o enfrentamento da crise climática exige olhar para os conhecimentos científicos já produzidos e construir caminhos coletivos. “A solução não vai vir de outro lugar. O pensamento sobre o que a gente tem que fazer não é mágico, não nasce, não está numa caixa-surpresa que a gente abre e acha. A gente tem que olhar com precisão para o que aconteceu cientificamente, ouvir o que a universidade está dizendo e apontar esses caminhos de uma forma o mais consensuada e coletiva possível.”

Evento contou com apresentações artísticas |
Evento contou com apresentações artísticas | — Divulgação
Evento contou com apresentações artísticas | Crédito: Divulgação

‘É através das soluções locais que vamos encontrar a solução global’

Durante a abertura da 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre, a CEO da COP30, Ana Toni, destacou o protagonismo das cidades na construção de respostas para a crise climática e homenageou o trabalho das enviadas especiais da conferência, entre elas Denise Dora e Jurema Werneck.

Para Toni, a iniciativa demonstra que as soluções para a crise climática precisam nascer dos territórios e envolver diferentes setores da sociedade. “São cidades, locais, territórios que trazem a solução, uma solução multifacetada, com diversos setores mostrando como é que se contribui.”

Ela ressaltou que a realização da Semana ocorre em um momento em que eventos extremos continuam sendo registrados em diferentes partes do mundo. “É uma semana especial, porque não só faz dois anos do que aconteceu aqui em Porto Alegre, mas também porque vemos, recentemente, na Europa, uma onda de calor em que mais de 5 mil pessoas morreram em menos de um mês, em países desenvolvidos. E agora vemos também os incêndios no Canadá.”

De acordo com a CEO da COP30, esses episódios mostram que a crise climática já faz parte da realidade cotidiana. “Não é de esquerda, não é de direita, é simplesmente uma realidade com a qual a gente tem que lidar.”

Ao Brasil de Fato, Toni avaliou que a COP30 deixou como legado o fortalecimento do multilateralismo e a centralidade da implementação dos acordos climáticos. Segundo ela, as próximas conferências deverão priorizar temas como financiamento e adaptação climática, incluindo a ampliação dos recursos destinados à área.

‘São cidades, locais, territórios que trazem a solução, uma solução multifacetada, com diversos setores mostrando como é que se contribui’, pontuou Ana Toni |
‘São cidades, locais, territórios que trazem a solução, uma solução multifacetada, com diversos setores mostrando como é que se contribui’, pontuou Ana Toni | — Divulgação
‘São cidades, locais, territórios que trazem a solução, uma solução multifacetada, com diversos setores mostrando como é que se contribui’, pontuou Ana Toni | Crédito: Divulgação

Ela também destacou os Mapas do Caminho, elaborados pela presidência da COP30 para orientar a transição energética. “O grande desafio é que a sociedade global hoje é muito dependente dos combustíveis fósseis, não apenas do ponto de vista da energia, mas também economicamente.”

Na avaliação de Toni, a transição precisa considerar as diferentes realidades dos países e ser conduzida com justiça social. “Não dá para fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis sem que ela seja justa. Justa com os trabalhadores, com as comunidades e também com quem está sofrendo os impactos da mudança do clima.”

Para enfrentar a crise climática, ela defendeu um novo modelo de desenvolvimento, capaz de conciliar crescimento econômico e preservação ambiental. “A gente percebe hoje que é possível ter desenvolvimento econômico e social robusto e, ao mesmo tempo, preservar essa infraestrutura que é a natureza.”

De acordo com Toni, essa transição ainda enfrenta resistências porque as estruturas de poder permanecem ligadas ao antigo modelo econômico. “Os poderes econômicos e políticos ainda pertencem à antiga economia. A nova economia ainda está se formando.”

Ao encerrar, Toni reforçou que a resposta à crise climática depende de um esforço coletivo. “Essa transição depende de todos. Não depende só dos Estados, da sociedade civil ou do setor privado. Depende de todos nós. É através das soluções locais que a gente vai encontrar a solução global que a gente tanto precisa.”

Representando o governo do estado, o secretário-adjunto do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marcelo Camardelli, destacou que a 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre fortalece o diálogo entre diferentes setores da sociedade na construção de respostas para a crise climática. Ao destacar o protagonismo feminino na abertura do evento, ele afirmou que a reconstrução do Rio Grande do Sul deve ser orientada pela ciência e pelo desenvolvimento sustentável.

“Nós temos uma assessoria de mudanças climáticas dentro da Secretaria, porque acreditamos muito nessa pauta e na necessidade de dialogar sobre ela. Acreditamos muito na ciência e que ela deve ser pedra basilar nessa reconstrução do estado, mas também no desenvolvimento sustentável, compatibilizando o social, o econômico e o ambiental, ouvindo os diversos atores da sociedade.”

Camardelli ressaltou que a Semana ocorre dois anos após a enchente que atingiu o estado e pouco menos de um mês após o lançamento do Plano de Ação Climática (PLAC) e do Plano de Transição Energética Justa do Rio Grande do Sul. Segundo ele, a tragédia deixou aprendizados que precisam ser compartilhados e reforçou que a transição climática deve colocar as pessoas no centro das políticas públicas.

‘Pensar que dois anos depois a cidade se organiza para refletir sobre isso, para apontar soluções, para juntar todos os pedaços dessa equação, todos esses diferentes players e produzir uma resposta é muito forte’, afirmou Denise Dora |
‘Pensar que dois anos depois a cidade se organiza para refletir sobre isso, para apontar soluções, para juntar todos os pedaços dessa equação, todos esses diferentes players e produzir uma resposta é muito forte’, afirmou Denise Dora | — Divulgação
‘Pensar que dois anos depois a cidade se organiza para refletir sobre isso, para apontar soluções, para juntar todos os pedaços dessa equação, todos esses diferentes players e produzir uma resposta é muito forte’, afirmou Denise Dora | Crédito: Divulgação

Coalizão RS lança observatório e carta-compromisso durante a Semana de Ação Climática

Durante a programação da Semana de Ação Climática, a Coalizão RS apresentou iniciativas voltadas ao acompanhamento da reconstrução do Rio Grande do Sul e ao fortalecimento das políticas de adaptação às mudanças climáticas.

Ao Brasil de Fato, o diretor-executivo da Coalizão RS, Tarso Oliveira, explicou que a organização articula diferentes setores em torno da agenda climática desde as enchentes de 2024. “A Coalizão RS é uma organização que orquestra a sociedade civil, seja academia, empresários, institutos, fundações, governo federal, municipal e estadual, em prol da agenda de resiliência e adaptação climática aqui do estado, depois das cheias de 2024.”

Entre os lançamentos da semana está o Observatório da Resiliência do Estado, criado para ampliar a transparência sobre as ações de reconstrução e a preparação dos municípios para enfrentar novos eventos extremos. “O Observatório da Resiliência do Estado visa trazer mais transparência para o processo de reconstrução do estado e também de resiliência dos municípios. A gente quer que a sociedade civil tenha consciência se os municípios estão se reconstruindo e se eles têm condição de enfrentar um novo desastre climático.”

De acordo com Oliveira, a iniciativa reúne universidades, Ministério Público e a Coalizão RS para sistematizar informações e disponibilizá-las à população. “A gente juntou a academia, a UFRGS, a PUCRS e o Ministério Público, junto com a Coalizão, e desenvolveu metodologias que vão mapear essas fontes de dados e transformar isso tudo em informação pública para a sociedade.”

Ele afirma que, dois anos após a enchente, ainda existe insegurança entre a população sempre que há previsão de chuvas intensas. “O maior desafio que a gente tem como sociedade não é só a segurança concreta, mas a sensação de segurança. Hoje, se chove, o gaúcho ainda fica muito incerto.”

Na avaliação do diretor-executivo, o observatório também pretende oferecer informações confiáveis, baseadas na ciência, em um contexto de novas preocupações com a possibilidade de um episódio de El Niño. “É muito difícil acompanhar o tamanho que vai ser esse El Niño e, principalmente, o comportamento das chuvas. O mais importante é mapear aquilo que está no nosso controle, o que as autoridades estão fazendo. Para isso, a gente precisa criar um canal de transparência confiável, baseado na ciência.”

Além do observatório, a Coalizão RS lançou o edital Teia Sprint Água, desenvolvido em parceria com o BRDE, a RegeneraRS e a Fundação Grupo Boticário. “A gente vai levar R$ 4,2 milhões para projetos que procuram soluções no Quarto Distrito e no Vale do Taquari.”

Outra iniciativa foi uma carta-compromisso destinada aos pré-candidatos ao governo do estado, com o objetivo de fortalecer políticas permanentes para adaptação climática. “Uma das entregas da Coalizão é criar uma política de Estado, e não de governo. A reconstrução precisa continuar e a gente precisa dar essa continuidade para a população gaúcha. Não pode a gente entrar num ciclo de recomeços.”

Porto Alegre entra no mapa global das semanas de ação climática

A especialista em política climática legislativa do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Carmynie Barros e Xavier, destacou que Porto Alegre passa a integrar o circuito internacional das semanas de ação climática. “Estou muito feliz de estar aqui na minha cidade natal, debatendo a primeira capital que está abordando a questão de uma semana climática.”

Ela afirmou que a iniciativa fortalece o debate sobre o clima ao integrar temas como educação, justiça e território. “Essa semana vai elencar não só as questões de clima, mas com um recorte da educação, um recorte de justiça e um recorte que envolve justamente os nossos territórios.”

Xavier acrescentou que o momento também contribui para traduzir instrumentos como o Plano Clima e as metas climáticas brasileiras. “Porto Alegre está no mapa, justamente no mapa do caminho que o próprio presidente da COP trouxe como um bom desafio para nós até a COP31.”

‘O importante é agir’, diz representante da Pró Natura

Representando a Pró Natura, Marcelo Andrade, em participação online, destacou que Porto Alegre passa a integrar uma rede internacional de semanas de ação climática, iniciada em Londres e expandida para diferentes países.

Segundo ele, o diferencial da iniciativa está na transformação das discussões em ações concretas. “É importante falar dos problemas, discutir problemas e planejar soluções, mas, no momento em que se tem as soluções, é importante que exista ação.”

Andrade lembrou que a experiência começou no Rio de Janeiro e agora se amplia para outras cidades brasileiras. Para ele, a resposta construída por Porto Alegre após as enchentes tornou a cidade uma referência internacional. “A resiliência que Porto Alegre demonstrou e a forma como a cidade se reorganizou depois dos desastres que sofreu são um exemplo que pode ser seguido por todo o mundo.”

‘A sociedade está dizendo que as soluções estão aqui’

Para a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, a crise climática não pode ser compreendida apenas como consequência de eventos naturais. Segundo ela, os impactos dos desastres também refletem a ausência de políticas públicas capazes de prevenir e responder aos efeitos das mudanças do clima. “Fenômenos climáticos não são o problema. A inação da política pública é que é um problema. A mudança climática está prevista para acontecer já faz dois séculos. O aquecimento global foi previsto e documentado a partir da década de 1980”, afirmou a dirigente ao Brasil de Fato.

Na avaliação da diretora da Anistia Internacional, a Semana de Ação Climática representa um momento em que a sociedade civil apresenta respostas construídas a partir da experiência acumulada desde a enchente. “Agora, dois anos depois, é a sociedade que está dizendo: as soluções estão aqui. A gente levou dois anos desenvolvendo, criando, inventando, colocando em prática e a gente quer ser ouvido.”

Werneck pontuou que a principal força da iniciativa está justamente em reconhecer o protagonismo da população na construção das respostas para a crise climática. “A potência da primeira Semana de Ação Climática é isso: a sociedade dizendo ‘nós somos a solução, temos que protagonizar a resposta’. É preciso que gestores, candidatos e candidatas ouçam o que a sociedade tem a dizer.”

‘O caminho, primeiro, é lembrar que é preciso colocar as pessoas no centro. Colocar as pessoas, colocar a vida, toda a existência no centro: as pessoas, os animais, as árvores’, frisou Jurema Werneck |
‘O caminho, primeiro, é lembrar que é preciso colocar as pessoas no centro. Colocar as pessoas, colocar a vida, toda a existência no centro: as pessoas, os animais, as árvores’, frisou Jurema Werneck | — Divulgação
‘O caminho, primeiro, é lembrar que é preciso colocar as pessoas no centro. Colocar as pessoas, colocar a vida, toda a existência no centro: as pessoas, os animais, as árvores’, frisou Jurema Werneck | Crédito: Divulgação

Ela ressaltou que a complexidade da crise exige respostas igualmente diversas. “A crise climática é um problema complexo e as soluções precisam ser também multifacetadas. A Semana de Ação Climática reúne uma parte importante desse mosaico de respostas.”

Embora reconheça avanços em relação à resposta dada a novos eventos climáticos, ela avalia que ainda há muito a ser feito. “Aquela conjunção de falhas que aconteceu dois anos atrás aparentemente não está acontecendo. Mas ainda falta muito.”

Ela defendeu ainda que as políticas públicas de reconstrução ultrapassem os mandatos governamentais e garantam continuidade às ações. “Queremos saber que legado, que estrutura está sendo deixada para que possa ser considerada pela população e pelo governante que vier.”

Questionada sobre os caminhos para garantir justiça climática, Werneck afirmou que as pessoas e todas as formas de vida precisam estar no centro das decisões. “O caminho, primeiro, é lembrar que é preciso colocar as pessoas no centro. Colocar as pessoas, colocar a vida, toda a existência no centro: as pessoas, os animais, as árvores.”

Para ela, as populações atingidas devem participar da construção das políticas de adaptação e mitigação. “É preciso que elas sejam protagonistas, porque elas carregam o direito à medida que se movem.” Por fim, Werneck defendeu que não existem respostas prontas para enfrentar a emergência climática. “Não tem solução mágica. É preciso fazer. Mas essas pessoas têm que estar na sala, têm que estar sentadas à mesa e têm que dizer: ‘isso funciona e isso não funciona’, porque elas estão tendo que responder, hora após hora, o que funciona e o que não funciona.”

O encerramento da Semana ocorre no domingo (26), das 10h30 às 13h, com a Caminhada da Sociedade Civil por Justiça Climática e Justiça Social. A concentração será no largo Zumbi dos Palmares, de onde os participantes seguirão até a Usina do Gasômetro. Confira a programação completa neste link.

Fonte
Brasil de Fato
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